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Foto: Agência Brasileira de Cooperação e Ministério da Saúde do Brasil.O Hospital Central de Maputo celebrou, no dia 26 de outubro, uma sexta-feira, a inauguração do primeiro Banco de Leite Humano (BLH) de Moçambique. A unidade é a segunda do continente africano nos moldes do modelo brasileiro: Cabo Verde conta com um BLH em funcionamento desde 2011 e trabalha para implantar a segunda unidade. Angola será o próximo país a ganhar um Banco de Leite, em Luanda.

Por meio da Rede Global de Bancos de Leite Humano (rBLH), sob coordenação da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e da Fiocruz, a iniciativa representa um importante marco para a diminuição da morbimortalidade infantil, sobretudo no que tange a segurança alimentar e nutricional de recém-nascidos do país africano. “Abrimos hoje uma página na história da qualidade de serviços de assistência a pacientes pediátricos, especialmente dos cuidados neonatais. O BLH que hoje inauguramos é um importante aliado das políticas do nosso governo”, declarou a ministra da Saúde de Moçambique, Nazira Abdula, durante a cerimônia.

Hoje, Moçambique registra cerca de 20 mil partos prematuros por ano, com uma taxa de mortalidade neonatal estimada em 28 mortes a cada mil nascimentos.

Muito além da tecnologia

O Banco de Leite Humano do Hospital de Maputo simboliza o sucesso de um projeto de cooperação bilateral iniciado em 2009 entre o Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e o país africano. Ao longo de todo esse tempo, foram realizadas diversas missões com o objetivo de capacitar a equipe a partir do modelo brasileiro. “Visamos uma cooperação baseada não apenas na transferência da tecnologia moderada e de baixo custo desenvolvida na Fiocruz, mas de princípios. No caso de Moçambique, existiam muitas especificidades, as quais foram trabalhadas ao longo dos últimos anos. É motivo de grande orgulho ver esta unidade em pleno funcionamento”, comemorou o coordenador da rBLH, João Aprigio de Almeida.

Aqui no Brasil, a Rede Nacional de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) conta com o apoio da Fiotec desde a sua criação, em 1998. Hoje, são quase 220 Bancos de Leite Humano espalhados por todo o País.

Em 2015, a rBLH-BR tornou-se Rede Mundial de Bancos de Leite Humano (rBLH), composta por mais de 20 países da América Latina, América Central, Caribe, Península Ibérica, Europa e África. “Continuamos nossa atuação no Brasil como responsáveis pela política pública de Bancos de Leite Humano, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Somos o único órgão responsável pela qualificação de recursos humanos para trabalhar com bancos de leite, além de realizarmos ações em três continentes”, afirmou João Aprigio em entrevista publicada no informativo Conexão Fiotec-Fiocruz, em abril de 2017.


*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias (AFN).