
A Fiotec foi uma das instituições convidadas a participar do Seminário Acesso à Justiça para Mulheres Negras e a Política do Cuidado, em 27 de julho, promovido pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. O evento aconteceu em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha (25/7) e reuniu especialistas, ativistas, lideranças sociais e representantes do sistema de justiça para debater a proteção de direitos, a defesa de quem cuida e a urgência de uma política baseada no cuidado.
Céu Pozzali, analista de Sustentabilidade e Diversidade, representou a Fiotec no encontro e participou ativamente das discussões propostas. Em sua fala, a profissional ressaltou o contínuo apoio da instituição a projetos da Fiocruz que combatem o racismo e outras formas de discriminação, além de internamente, em sua administração, promover uma agenda consistente voltada à diversidade e inclusão.
Sobre a Política Nacional de Cuidados, objeto de debate durante o Seminário, Céu afirmou representar uma iniciativa fundamental no enfrentamento das desigualdades estruturais, ao propor uma reorganização mais justa e compartilhada das responsabilidades sociais do cuidado entre o Estado, o setor privado e a sociedade civil. “Trata-se de um passo importante para o reconhecimento do cuidado como direito, como trabalho e como responsabilidade coletiva”, completou.
A profissional defendeu, ainda, que é essencial a construção da Política tendo como base uma perspectiva interseccional, reconhecendo as múltiplas formas de ser mulher negra no Brasil. “Mulheres negras cis e trans, mulheres com deficiência, indígenas, quilombolas e tantas outras vivenciam o cuidado — e a negação dele — de maneiras distintas, atravessadas por camadas de opressão e invisibilidade”. Para Céu, a Política Nacional de Cuidados pode contribuir de forma significativa para a promoção da dignidade humana e para a superação de padrões históricos de exclusão, desde que reconheça e incorpore essa diversidade de experiências em seu cerne.
Construção coletiva de políticas públicas
Céu encara o convite feito pela Defensoria Pública como um importante símbolo de que é essencial construir políticas públicas com base na escuta ativa e no diálogo com os territórios. As instituições, como a Fiotec, têm importante papel ao se mostrarem verdadeiramente comprometidas com a promoção dos direitos humanos e o enfrentamento do racismo e violências de gênero. “Como uma mulher negra, poder ocupar esse espaço, escutar e dialogar com outras mulheres — cis, trans, indígenas, com deficiência — foi reafirmar que o cuidado precisa ser compreendido a partir de uma perspectiva interseccional, que reconheça nossas diferentes vivências, corpos e histórias”, celebra.
