“Saúde é o resultado do desenvolvimento econômico-social justo”. A frase é de Sergio Arouca, sanitarista que, além de compor o nome da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), é o homenageado na comemoração dos 59 anos da unidade. A série de atividades que marcarão o aniversário teve início hoje (3 de setembro), em uma solenidade de abertura realizada no auditório térreo da Ensp, com a participação do presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Gadelha, o diretor da Ensp, Hermano Castro, e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN), Paulo Garrido. A Fiotec, que apoiou a organização de todos os eventos que serão realizados até sexta-feira (6/9), foi representada pelo gerente geral, Adilson Gomes dos Santos.
O tema que vai embasar as mesas-redondas, discussões e exposições previstas para a semana será “ENSP: pensamento crítico em saúde - A Reforma Sanitária em questão”. De acordo com Hermano Castro, a data é digna de comemoração, mas também deve ser um momento de reflexão. Ele também destacou o papel da Fiotec na concepção dos eventos. “O apoio da Fiotec, que por ser Fiocruz é sensível aos acontecimentos, é definitivo para que essa semana de intenso debate aconteça como o esperado”, afirmou o diretor.
Primeiro dia
Além da solenidade de abertura, que também foi marcada por homenagens ao Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e à Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), no primeiro dia de atividades ocorreu a inauguração exposição fotográfica com registros históricos da 8ª Conferência Nacional de Saúde a da Constituinte de 1988, que permanecerão na Tenda da Saúde (armada em frente ao pátio do prédio principal da ENSP) durante toda a semana de aniversário. Houve, ainda, o debate “A 8ª Conferência Nacional de Saúde e o SUS: a Reforma Sanitária acabou?”, com a participação de pesquisadores de outras instituições.
Reforma Sanitária
O termo foi usado pela primeira vez no país em função da reforma sanitária italiana. A expressão ficou esquecida por um tempo até ser recuperada nos debates prévios à 8ª Conferência Nacional de Saúde, quando foi usada para se referir ao conjunto de ideias que se tinha em relação às mudanças e transformações necessárias na área da saúde. Nessa semana de atividades, a Ensp coloca o assunto novamente em destaque.
Sergio Arouca
Considerado um ícone da saúde pública brasileira, Sergio Arouca é reconhecido por sua produção científica e a liderança conquistada na construção do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele foi presidente da Fiocruz em 1985 e, durante sua gestão, preocupou-se com a democratização da fundação, recuperando a associação de funcionários e promovendo eleições diretas para a diretoria. Modernizou a administração e foi responsável pela criação do Conselho Deliberativo da Fiocruz como instância máxima de poder. Foi também, em 1987, secretário de Estado da Saúde do Rio de Janeiro e, em 2001, secretário municipal da Saúde.
Chegou a concorrer como vice-presidente da República na chapa do PCB, com Roberto Freire, em 1988. Candidatou-se, ainda, a vice-prefeito do Rio de Janeiro, foi deputado federal por oito anos e ocupou diversos cargos em comissões de saúde, ciência e tecnologia, sempre na defesa da modernidade e interesse do trabalhador. Assumiu, em janeiro de 2003, a Secretaria de Gestão Participativa do Ministério da Saúde e foi nomeado para a coordenação-geral da 12ª Conferência Nacional de Saúde e para ser o representante do Brasil na Organização Mundial de Saúde (OMS). Era presidente do PPS-RJ. O sanitarista morreu aos 61 anos no dia 2 de agosto de 2003, em decorrência de um câncer e, para lembrar os 10 anos de sua morte, seu legado está sendo mostrado durante todo o evento de aniversário da Ensp.
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