No dia 11 de outubro aconteceu o 2º Censo da Indústria Farmoquímica Nacional, onde o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS) da Fiocruz, Jorge Bermudez, apresentou algumas informações sobre o setor, apontadas através do estudo “Avaliação do setor produtivo farmoquímico nacional – capacitação tecnológica e produtiva”, apoiado pela Fiotec. O projeto teve como objetivo mapear e identificar as empresas atuantes no Brasil, analisar o esforço de inovação e parceiras, avaliar aspectos econômicos relacionados à estrutura de custos e de financiamento, recolher sugestões das empresas e elaborar relatório com informações capazes de subsidiar propostas para o setor, entre outros. Todas as informações obtidas foram apresentadas durante o evento, realizado no auditório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em Brasília, com presença de representantes da indústria, do governo e da área de pesquisa.
Atualmente, o parque farmoquímico nacional é composto por 36 empresas, predominantemente produtoras de Insumo Farmacêutico Ativo (IFAs) de origem sintética. Dessas, 30 participaram do estudo. Comparado ao 1º censo, houve um crescimento de 30% no número de empresas visitadas. Além disso, observou-se um aumento da especialização, maior número de pós-graduados e graduados na área.
A maior concentração é na região sudeste, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, e em Brasília. Quanto à atividade produtiva, somente 47% das empresas são exclusivamente farmoquímica, 21% atuam como farmoquímica e farmacêutica (humana ou veterinária), 14% química ou excipiente (substâncias que existem nos medicamentos e que completam a massa ou volume especificado) e 14% extração (animal ou vegetal).
Fragilidades
O estudo identificou ainda algumas fragilidades: não há produção de matéria-prima para antibióticos no Brasil. Falta consolidar a produção de insumos para antineoplásicos (para câncer) e faltam investimentos para ampliar o parque produtor de medicamentos para doenças cardiovasculares, negligenciadas e para o sistema nervoso central.
Sugestões
Na ocasião, os representantes das empresas puderam expressas suas opiniões e dar sugestões sobre o tema. A concessão de incentivos fiscais para as empresas de genéricos que usarem matéria prima nacional, aumento da alíquota de importação caso exista a mesma matéria prima produzida no Brasil e aumento da oferta de financiamento público para indústrias de pequeno porte foram algumas delas. De acordo com Jorge Bermudez, essas questões constam no relatório da Subcomissão Especial de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde, Produção de Fármacos, Equipamentos e outros insumos, da Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados.
*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias
