Fiotec apoia novo tratamento contra tuberculose em portadores de HIV - Fiotec

Fique por dentro

Por favor, selecione quais conteúdo deseja receber da Fiotec:

Você pode cancelar a inscrição a qualquer momento clicando no link no rodapé dos nossos e-mails.

Nós usamos Mailchimp como nossa plataforma de marketing. Ao clicar abaixo para se inscrever, você reconhece que suas informações serão transferidas para a Mailchimp para processamento. Saiba mais sobre as práticas de privacidade da Mailchimp aqui.

Na busca por novas opções de tratamento dirigido a pacientes portadores de HIV com tuberculose, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), em parceria com a Agência Nacional Francesa de Pesquisas sobre Aids e Hepatites Virais (ANRS), o Ministério da Saúde e centros de pesquisa no Brasil e na França testaram um esquema antirretroviral contendo o medicamento Raltegravir, pertencente à classe de fármacos chamada inibidores de integrase, comparando-o ao que contém Efavirenz. A pesquisa faz parte do projeto “Fase dos testes randomizados para comparação da eficácia e segurança de doses diferentes de Realtegravir e Efavirenz combinados com Tenofovir e Lamivudine”, apoiado pela Fiotec.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a tuberculose é a principal causa de morte entre as pessoas que são soropositivas (possuem o vírus do HIV). A taxa de óbito é de 20% e, assim como a Aids, atinge especialmente países em desenvolvimento, onde cresce o número de pacientes com as duas doenças. A Rifampicina é um dos componentes básicos utilizados no combate à tuberculose, porém, interage com muitos dos antirretrovirais usados para tratar a infecção pelo HIV, o que pode gerar dificuldades no tratamento de co-infectados.

O medicamento Efavirenz, em combinação com os fármacos Tenofovir (TDF) e Lamivudina (3TC), compõe o esquema antirretroviral utilizado no tratamento inicial desses pacientes. Entretanto, ainda não há um esquema alternativo voltado a indivíduos com intolerância ao Efavirenz e a mulheres em início de gestação, cujo uso é restrito em função do risco de danos ao feto. Por isso, a proposta visa buscar tratamentos alternativos para os pacientes que possuem as duas doenças.

Os resultados obtidos foram promissores: o esquema com o inibidor mostrou eficácia e segurança semelhantes. Para infectologista da Fiocruz e coordenadora do estudo no Brasil, Beatriz Grinsztejn, os resultados apontam para a possibilidade do uso do inibidor como alternativa ao Efavirenz. “O Raltegravir tem um bom perfil de tolerância e é fácil de ser tomado”, afirma. O estudo, que está em fase dois, envolveu 155 soropositivos em tratamento para tuberculose à base de Rifampicina.

Os participantes foram distribuídos em três grupos: o primeiro recebeu uma dose padrão de Raltegravir (400 mg duas vezes ao dia), o segundo uma dose dupla do fármaco e o terceiro a dose usual de Efavirenz. Os três grupos participaram dos testes por 48 semanas e receberam concomitantemente o tratamento para tuberculose. Para Grinsztejn, os achados indicam a realização de um estudo maior, de fase três, para que resultados definitivos possam ser alcançados. “Nossa expectativa para as próximas etapas é otimista”, declara.

*Com informações da CCS/Fiocruz