Causada pelo protozoário parasita Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas é transmitida pelas fezes de um inseto (triatoma) conhecido como barbeiro. Quando cai na circulação, o parasita afeta os gânglios, o fígado e o baço. Depois vai para o coração, intestino e esôfago e, nas fases crônicas da doença, pode haver destruição da musculatura e sua flacidez provoca aumento desses três órgãos. Essas lesões são definitivas, irreversíveis. Diante dessa realidade, a Fiocruz Minas Gerais está desenvolvendo droga com atividade tripanocida para tratamento e cura da doença de Chagas através das nanotecnologias. Trata-se do projeto “Berenice – grupo de pesquisa benznidazol e triazol para nanomedicina e inovação na doença de Chagas”, apoiado pela Fiotec.
Berenice é o nome dado à rede de pesquisa criada, que atua entre a América Latina e a Europa, com equipes da Fiocruz e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal, que têm estudado formulação terapêutica inovadora para combater a doença de Chagas. A ideia é desenvolver uma intervenção com melhor tolerância, baixo custo e uma formulação mais eficaz do que as que existem.
Hoje, o tratamento terapêutico contra a doença de Chagas pode ser resumido a uma única droga que, apesar de ser eficaz na fase aguda da doença, é limitada e tóxica na fase crônica. A nova nanoformulação será desenvolvida pelo grupo de forma que sua utilização e produção se tornem sustentáveis, usando nanopartículas e utilizando uma nova via de administração, terá um importante impacto na segurança do medicamento, uma vez que a eficácia terapêutica será aumentada.
As novas aplicações das drogas atuais e a combinação do conhecimento existente vai prover soluções novas de baixo custo, impactando no controle da doença de Chagas em países endêmicos e não-endêmicos. Além disso, esses esforços podem aumentar a taxa de cura em até 10 vezes com um menor custo.
Berenice
O nome do projeto tem como referência a descoberta de Carlos Chagas sobre a doença de Chagas, através da paciente Berenice Soares de Moura, primeira pessoa na história a ser diagnosticada com a doença. Ela nunca recebeu qualquer tratamento, pois ele ainda não havia sido descoberto. Berenice representa a necessidade não só de um diagnóstico preciso e precoce, mas também o direito de receber um tratamento adequado.
*Com informações do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal
