Desde 2012, o projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” atua no país. A pesquisa faz parte do Programa “Eliminate Dengue: Our Challenge”, que testa um novo método na Austrália, Vietnã e Indonésia, chegando ao Brasil através Fiocruz, com o apoio da Fiotec. A metodologia consiste na utilização da bactéria Wolbachia para bloquear a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito Aedes aegypti.
Amplamente presente em insetos, a Wolbachia pipientis é uma bactéria intracelular observada pela primeira vez há 70 anos, em mosquitos da espécie Culex pipiens. Sua descoberta ocorreu em 1926. Desde 1990, mais de 1.500 estudos científicos sobre a Wolbachia foram publicados em periódicos científicos. Cientistas do programa internacional demonstraram que a Wolbachia é capaz de bloquear a transmissão do vírus da dengue no Aedes aegypti, originando uma nova proposta, natural e autossustentável, para o controle da doença.
Metodologia
A característica intracelular da Wolbachia só pode ser transmitida verticalmente (de mãe para filho) por meio do ovo da fêmea de mosquito. Como resultado, o sucesso está diretamente ligado à capacidade de reprodução do inseto.
A bactéria tem uma vantagem reprodutiva devido à chamada ‘incompatibilidade citoplasmática’: fêmeas com Wolbachia sempre geram filhotes com Wolbachia no processo de reprodução, seja ao se acasalar com machos sem a bactéria ou machos com a bactéria. E, quando as fêmeas sem Wolbachia se acasalam com machos com a Wolbachia, os óvulos fertilizados morrem.
Controle a longo prazo
Inicialmente, serão poucos Aedes aegypti com a bactéria na população de mosquitos e, por isso, a vantagem reprodutiva será pequena. Mas, com as sucessivas gerações, o número de mosquitos machos e fêmeas com Wolbachia tende a aumentar até que a população inteira de mosquitos tenha esta característica. Por isso, uma vez estabelecido o método em campo, em determinada localidade, os mosquitos continuam a transmitir a Wolbachia naturalmente para seus descendentes, dispensando a necessidade de intervenções adicionais.
É interessante destacar que apesar da ampla gama de hospedeiros (70% de todos os insetos do mundo, incluindo borboletas e diversos mosquitos), esta bactéria não é infecciosa e não é capaz de infectar vertebrados, incluindo os humanos.
Os ovos dos mosquitos com Wolbachia foram trazidos da Austrália para o Brasil com a autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que é a autoridade competente para essa questão. Com esses ovos, uma colônia brasileira de Aedes aegypti com a bactéria foi criada, em laboratório da Fiocruz. Em breve, o coordenador do projeto, Luciano Andrade de Moreira, do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), soltará os mosquitos da colônia, para convivência com os demais mosquitos.
*Informações: IOC/Comunicação
