O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) vai receber, do laboratório ucraniano Indar S.A, transferência de tecnologia para produção nacional da Insulina Humana Recombinante. A Fiotec apoia o fortalecimento das ações estratégicas para o estabelecimento desse novo modelo de incorporação de tecnologia, com o sublicenciamento das atividades de envase. Ao final do processo, Farmanguinhos estará capacitado a produzir cristais de insulina e o medicamento de insulina recombinante.
O compromisso governamental de internalização da tecnologia foi marcado pela assinatura de acordo técnico-científico em julho de 2006, que prevê cinco etapas para conclusão da transferência. No início deste mês, o Laboratório de Bioprodutos de Farmanguinhos recebeu representantes do Indar para realização de um treinamento, que faz parte da terceira e quarta etapas do processo. Além da capacitação, eles também acompanharam os processos das metodologias analíticas, que fazem parte da transferência tecnológica.
Em entrevista ao site da unidade, o responsável pelo Laboratório de Bioprodutos, Otavio Padulam, explicou que “a tecnologia se baseia no processo de fermentação, utilizando cepas bacterianas geneticamente modificadas, as quais são produtoras de insulina”. A chefe da Divisão de Biotecnologia (DBTEC), Bárbara Ferreira, acrescentou que fase de absorção da escala laboratorial tem que ser finalizada até março de 2016, para em seguida, começar a absorver a tecnologia piloto, que vai ser até 450 litros, e posteriormente, dar início à etapa fabril.
Fornecimento do medicamento
Simultaneamente à transferência de tecnologia, o acordo prevê a importação do produto acabado. Assim, desde novembro de 2007, Farmanguinhos adquire 500 mil frascos por mês, quantidade que, segundo pauta definida pelo Ministério da Saúde, é suficiente para suprir a distribuição do medicamento no Espírito Santo, Pernambuco, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.
A insulina humana recombinante é produzida biossinteticamente pela tecnologia de DNA recombinante e apresenta-se na forma de suspensão branca e leitosa. O medicamento tem absorção facilitada de glicose e, ao mesmo tempo, inibe a produção do açúcar pelo fígado.
De acordo com Federação Internacional de Diabetes, o Brasil tem mais de 11,6 milhões de diabéticos. Ao nacionalizar a produção de insulina, Farmanguinhos poderá atender ao mercado e ter autonomia tecnológica, o que vai eliminar as dificuldades de abastecimento do medicamento e de vulnerabilidade em relação a flutuações de preços no mercado mundial.
*Com informações do site de Farmanguinhos, Agência Fiocruz de Notícias e Ministério da Saúde
