Durante todo este mês acontece a campanha “Novembro Azul” de conscientização sobre as doenças masculinas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata. A ideia, concebida pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, surgiu para tentar quebrar o preconceito masculino de ir ao médico. Pesquisas relevam que eles não buscam os serviços de saúde como e quando deveriam e isso é um problema, já que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os homens morrem mais cedo que as mulheres.
Porque isso acontece? O documento “Perfil da Situação de Saúde do Homem”, criado através de um projeto do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), com o apoio da Fiotec, comprova que os homens são mais suscetíveis a doenças do coração, câncer, diabetes, colesterol elevado e pressão alta, possivelmente pelos comportamentos de risco mais frequentes. Eles se expõem mais a acidentes de trânsito e de trabalho; utilizam álcool e outras drogas em maior quantidade; e envolvem-se na maioria das situações de violência.
O relatório demonstra que 665.551 das mortes masculinas, em 2011, 175 mil foram causadas por doenças do aparelho circulatório seguidas de causas externas (crimes e acidentes de trânsito), com 119 mil mortes. Câncer e tumores mataram 98 mil homens e doenças do aparelho respiratório foram responsáveis por 66 mil mortes entre eles. Por isso, incentivar que os homens tenham o hábito de ir ao médico e realizem exames com regularidade é tão importante.
Cuidados masculinos
O projeto que deu origem ao estudo citado é denominado “Os cuidados masculinos voltados para saúde sexual, a reprodução e a paternidade da perspectiva relacional do gênero”. Iniciado em 2013, seu objetivo é contribuir com as coordenações estaduais e municipais de saúde do homem, com ações voltadas à valorização do tema.
A iniciativa atua em dois eixos prioritários: Saúde Sexual e Reprodutiva; e Paternidade e Cuidado. O primeiro eixo trata do respeito ao direito e a vontade do indivíduo de planejar a constituição ou não de sua família ou entidade familiar, aumentando-a, limitando-a ou evitando a sua prole. Além disso, são consideradas as questões que versam sobre a sexualidade masculina no campo psicológico e biológico. Esse tema apresenta grande transversalidade com a Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, com as questões relacionadas à DST/AIDS e aos Direitos Humanos.
Já o tema Paternidade e Cuidado envolve o engajamento dos homens no acompanhamento da gestação e do parto de suas parceiras e nos cuidados no desenvolvimento da criança, possibilitando a todos uma melhor qualidade de vida e vínculos afetivos saudáveis. Outro ponto importante é a possibilidade de integrar os homens na lógica dos serviços de saúde ofertados, sobretudo na Rede Cegonha, possibilitando que eles realizem seus exames preventivos de rotina, tais como: HIV, sífilis e hepatites, hipertensão e diabetes, vacinação, entre outros.
Logo, a ideia central do projeto é que os homens tenham consciência de que cuidados com a saúde não envolvem apenas eles próprios. Beneficiam também a saúde das mulheres com quem eles se envolvem, das crianças e adolescentes que os cercam.
*Com informações da Revista Radis e da publicação "Perfil da situação de saúde do homem no Brasil".
