Implementação da Profilaxia Pré-Exposição é fruto de trabalho feito, em parceria, por agentes de diversos países (Foto: Gustavo Xavier/Fiotec)“Nossa missão é gerar conhecimento científico, mas é nosso valor e nosso direcionamento que esse conhecimento se traduza em bem-estar e políticas públicas que assegurem o acesso da população à Profilaxia”. Com essas palavras, Nísia Trindade Lima, presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), celebrou o lançamento do projeto para implementação da Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (ImPreP) na América Latina, realizado na última quarta-feira (12/7), na Biblioteca de Obras Raras do Castelo Mourisco da Fiocruz. A iniciativa visa oferecer medicamentos antirretrovirais a cerca de 7.500 pessoas não infectadas pelo vírus HIV, com o objetivo de reduzir o risco de aquisição da doença por via sexual principalmente entre homens que fazem sexo com outros homens, mulheres transexuais e travestis.
Ao lado de Nísia, compuseram a mesa a diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Valdiléa Veloso; a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken; Heather Ingold, representante da Unitaid - instituição responsável pelo financiamento do projeto; o representante da Opas, Giovanni Ravasi; o diretor do Centro de Investigación Interdisciplinaria em Sexualidad, Sida y Sociedad (CIISSS), do Peru, Carlos F. Cáceres; e o pesquisador da Clínica Especializada Condesa, do México, Edgardo Ramírez.
Adele Benzaken, do Ministério da Saúde do Brasil, ressaltou em sua fala a parceria bem-sucedida entre os agentes que tornaram possível a implementação da PreP. “Para tornarmos a Profilaxia uma realidade, precisávamos de instituições fortes em seus países, como a Fiocruz no Brasil e as envolvidas no estudo no Peru e México”. O ImPrep, que tem duração de três anos, é financiado pela Unitaid e apoiado pela Fiotec. O projeto faz parte de um consórcio entre os três países, com o apoio do Ministério da Saúde de cada um deles. Aqui no Brasil a iniciativa é coordenada pelo INI/Fiocruz.
Valdiléa Veloso, diretora do INI/Fiocruz e pesquisadora diretamente ligada ao desenvolvimento do projeto (Foto: Gustavo Xavier/Fiotec)
Valdiléa Veloso falou, em seguida, que a proposta foi criada, desde o início, de maneira colaborativa. A pesquisadora, que atua na coordenação do projeto, defendeu o papel da iniciativa na missão da própria Fiocruz, a de garantir o acesso das populações mais vulneráveis à saúde pública de qualidade, contribuindo, assim, para a diminuição das desigualdades. “Nós partimos da premissa de que a ciência não parte dos pesquisadores para a sociedade, e sim que a construímos juntos. Construímos juntos as pesquisas e construímos juntos o conhecimento”, declarou.
Protagonismo reconhecido
A Fiotec, responsável pela gestão financeira e administrativa do projeto, foi representada pela gestora da área de Projetos Especiais, Mabel Melo, que teve a companhia de Flávia Estill e Leila Spelta, assessora e analista, respectivamente. A instituição possui papel ainda mais importante nessa iniciativa, já que o contrato de financiamento, de aproximadamente R$ 80 milhões, foi feito diretamente entre a Unitaid e a Fiotec.
A atuação da Fiotec foi reconhecida e elogiada nos discursos de todos os integrantes da mesa. A diretora do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, afirmou, inclusive, que “o trabalho da Fiotec, assim como em muitos outros casos, foi o que permitiu a implementação bem-sucedida da Profilaxia no Sistema Único de Saúde (SUS)”.
*Com informações do portal do INI/Fiocruz.
