Dicionário de Favelas completa um ano no combate à Covid-19 - Fiotec

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Fonte:Icict/Fiocruz

(Foto: Ricardo Moraes/Reuters)

Dicionário de Favelas Marielle Franco nasceu há um ano como uma ferramenta cujo foco era a preservação da memória, identidade e saberes das favelas cariocas. Com a chegada do novo coronavírus ao Brasil, tornou-se também instrumento de ação coletiva dos moradores desses territórios, através da criação de uma página específica sobre a pandemia, que vem sendo espaço importante para a divulgação de ações de solidariedade, troca de informações e apoio às iniciativas para enfrentar a doença. Além disso, a página principal está sendo traduzida para inglês e espanhol, o que deve ampliar a rede de solidariedade.

Lançada em abril de 2019 na Fiocruz, a plataforma colaborativa virtual, também chamada de Wikifavelas, chegou nesta semana à marca de 500 verbetes (a meta inicial era de 150 em três anos), e já conta com 322 colaboradores cadastrados. 

“Como um projeto acadêmico que foi financiado, tínhamos metas a cumprir, e ultrapassamos em mais de três vezes os objetivos para verbetes escritos, número de participantes e quantidade de favelas. Houve uma acolhida grande tanto por parte dos centros de memórias e museus locais, que já trabalhavam com a construção e preservação da identidade política e coletiva desses espaços, quanto por profissionais das universidades que estudam o tema”, afirma a cientista política Sônia Fleury, coordenadora do projeto.

Instrumento contra a pandemia

A pesquisadora conta que a abertura do espaço sobre a pandemia dentro da plataforma, em março desse ano, deu outra dimensão ao trabalho. “No início, surgiram produções das favelas em forma de denúncia, apontando que as políticas públicas de prevenção ao coronavírus não tinham um olhar sobre a condição dessas pessoas. Reunimos também artigos e vozes da própria favela sobre as ações que estão sendo tomadas pelos moradores, do tipo ‘nós por nós’”, diz.

A equipe de pesquisadores compilou as informações (reportagens, fotos, vídeos, comentários, artigos, ensaios e reflexões acadêmicas) sobre os impactos do coronavírus na vida das favelas, e organizou o material em tópicos tais como ajuda e apoio às favelas, notícias sobre os impactos da doença nas comunidades, depoimentos de moradores e coletivos locais e artigos de opinião. Além das denúncias, há também conteúdo sobre a organização da população e a mobilização por solidariedade. “A plataforma, que antes tinha como foco a preservação da memória, da construção de identidade e história, de repente mudou de significado e passou a ser um agente de transformação coletiva, das favelas e para as favelas. Tivemos um aumento do número de acessos por causa da questão do coronavírus. Na seção de ajuda, por exemplo, foram oito mil em uma semana”, revela Sônia.


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