Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) passa a ser programa institucional da Fiocruz - Fiotec

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Crianças participam de mutirão de barreado em comunidade da Praia Grande de Cajaíba (foto: Eduardo di Nápoli/OTSS).

Fruto de uma parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Fórum de Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT), o Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS) atua desde 2009, com o apoio da Fiotec, junto a comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras da região. O OTSS propõe a geração de conhecimento crítico, promovendo o diálogo entre saberes tradicional e científico, para dessa maneira desenvolver estratégias que promovam sustentabilidade, saúde e direitos para as comunidades tradicionais e seus territórios.

Uma portaria de 14 de agosto, assinada pela presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, transformou o projeto do OTSS em um programa permanente da Fundação. De acordo com Edmundo Gallo, pesquisador titular da Fiocruz e coordenador geral do OTSS, “a criação do Programa Bocaina significa que a instituição assume o compromisso de manter uma atuação no território para garantir a reprodução do modo de vida das comunidades tradicionais e a construção de territórios sustentáveis e saudáveis”.

O novo programa ficará subordinado à Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz e continuará tendo suas atividades apoiadas pela Fiotec. Conversamos com Edmundo Gallo sobre os mais de 10 anos de atuação do Observatório, além da institucionalização do projeto e dos desafios que estão sendo enfrentados:

É possível elencar as principais conquistas e avanços do Observatório, ao longo desses anos?
O OTSS avançou em diversos campos, o primeiro deles foi a legitimidade no território. Essa parceria entre Fiocruz e o Fórum é uma referência para a discussão de qualquer questão que envolva os povos e comunidades tradicionais, resultou, inclusive, na criação recente da Subsecretaria de Povos e Comunidades Tradicionais na Prefeitura de Paraty, na criação de oito escolas de educação diferenciada em comunidades tradicionais e, inclusive, de um programa de educação diferenciada na Secretaria Municipal de Educação de Paraty. Além de um plano de trabalho para saneamento ecológico voltado às comunidades tradicionais e a organização e articulação para defesa dessas comunidades frente à Covid-19.

Institucionalmente, claro, avançamos com a criação do Programa de Desenvolvimento dos Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina, pela Fiocruz, reconhecendo o Observatório como coordenador desse processo e o protagonismo do Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT).

De que maneira a institucionalização do projeto beneficiará as populações tradicionais da região da Bocaina?
Isso garante que a atuação da Fiocruz seja permanente no território, dessa maneira firmando uma parceria constante com os povos tradicionais, o que aprofundará e promoverá um maior avanço nas diversas frentes que o Observatório já trabalhava.

Como o novo programa trabalhará os “determinantes sociais da saúde”, que relacionam aspectos como condições de trabalho e lazer diretamente à promoção da saúde?
O Observatório já trabalha sobre a determinação social da vida e saúde. Muitas vezes as pessoas perguntam o que fazemos no campo da saúde, já que não trabalhamos com as questões mais clássicas, como atenção e assistência à saúde por exemplo, ou ainda prevenção em um sentido mais convencional. Mas a verdade é que o Observatório trabalha com focos de ação que lidam com os determinantes distais da saúde, como economia, cultura, políticas e condições de habitação, ou de trabalho e geração e renda, e de preservação da cultura. É isso que faz o trabalho do OTSS ser diferente em relação a maior parte dos trabalhos relacionados à saúde pública.

De que forma a campanha “Cuidar é Resistir” aliou as práticas científicas necessárias para prevenção da Covid-19 aos saberes tradicionais das comunidades?
A campanha é exatamente um produto da experiência do Observatório, dessa parceria entre o conhecimento tradicional e científico para construir novas formas de soluções para demandas da vida e saúde. A “Cuidar é Resistir” veio exatamente para destacar a importância de questões como o protagonismo feminino, a agroecologia, a pesca, a organização comunitária e a defesa do território para produzir uma situação de segurança sanitária, social, alimentar e nutricional. Então, a campanha é exatamente a síntese da união entre essas duas práticas de conhecimento (tradicional e cientifico) para produzir uma nova forma de atuação sobre o território, uma nova relação social, mais solidária e cooperativa, com a capacidade de produzir o bem-viver dessas populações.


Com informações de Comunicação/OTSS e Fiocruz.