
O Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxicos, sendo que, em 2019, sua liberação foi significativa. Uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) sugere que a exposição crônica a pesticidas de organoclorados (CO) e certos pesticidas não persistentes poderia levar à redução no número de diferentes glóbulos brancos de população agrícola de Farroupilha-RS.
Segundo a pesquisa, cerca da metade da população em foco relata mais de vinte e cinco anos de trabalho agrícola, 55% tinham misturado ou aplicado pesticidas há mais de dez anos, e 37% tinham pesticidas mistos / aplicados com uma frequência média maior ou igual a 60 dias por ano. “As classes de pesticidas mais usadas pelos agricultores, na época da entrevista, eram herbicidas e fungicidas, e um terço dos entrevistados estava usando dois ou mais pesticidas, simultaneamente.
Os autores do estudo Camila Piccoli, Rosalina Koifman e Sérgio Koifman (in memoriam), da Ensp, Cleber Cremonese, do Centro Universitário da Serra Gaúcha, e Carmen Freire, do Institute of Biomedical Research of Granada, Espanha, relatam que 56% dos participantes do estudo eram do sexo masculino, sendo a idade média dos participantes de 42 anos, e 87% deles (92% dos homens e 81% das mulheres) estavam diretamente envolvidos nas atividades agrícolas. Os participantes que não faziam parte dessas atividades eram parentes de fazendeiros que viviam em fazendas (filhos, filhas, esposas e outros não diretamente envolvidos em atividades de campo). Quase todos os participantes eram brancos (99,3%). Em relação à história médica, apenas um indivíduo relatou história de doença hematológica, enquanto 4 homens e 2 mulheres tinham história familiar de doença hematológica em primeiro grau.
Fiotec apoia pesquisa nessa mesma temática, no Rio de Janeiro
Sob a coordenação de Sabrina Santos, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) desenvolve um projeto que se propõe a determinar a existência de uma associação entre exposição ocupacional e ambiental aos agrotóxicos e a manifestação de cânceres de cérebro, esôfago, estômago, mama, leucemias e linfomas. A pesquisa está sendo aplicada em cidades da Região Serrana do estado do Rio de Janeiro.
Sabrina explica que pessoas que tenham os tumores estudados, e outras que nunca tiveram câncer, são convidadas a participar do estudo respondendo a um questionário e doando uma amostra de sangue. “Os questionários avaliam a exposição autorreferida a agrotóxicos, considerando a duração, frequência e a intensidade do uso ocupacional e domiciliar. Já as amostras de sangue são utilizadas para a genotipagem dos indivíduos quanto aos polimorfismos estudados”.
Fonte: Agência Fiocruz de Notícias (AFN).
