Dezembro é considerado, em todo o mundo, o mês da luta contra a Aids. Hoje, quase metade das mais de 36 milhões de pessoas que vivem com o vírus HIV no mundo estão realizando o tratamento antirretroviral. Os números estão no relatório Get on The Fast Track: the life-cycle approach to HIV (traduzido livremente para Entre na via rápida: acelerando a resposta ao HIV com enfoque na abordagem do ciclo de vida) lançado no dia 21 de novembro pela Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids). O documento revela que em junho de 2016 cerca de 18,2 milhões de pessoas tiveram acesso ao tratamento, o dobro do número registrado há cinco anos.
De acordo com o relatório, o tratamento também tem impacto direto no aumento da expectativa de vida das pessoas que vivem com o HIV. Em 2015, havia mais pessoas acima de 50 anos vivendo com HIV do que nunca: 5,8 milhões. O documento destaca ainda que, se forem alcançadas as metas de tratamento, espera-se que esse número aumente para 8,5 milhões até 2020.
Entretanto, também são apresentandas questões que precisam de muita atenção. Uma delas é o grande número de pessoas em maior risco de infecção pelo HIV e pessoas que vivem em áreas com alta incidência que estão ficando sem acesso aos serviços de HIV em momentos críticos de suas vidas, abrindo a porta para novas infecções pelo vírus e aumentando o risco de morte por doenças relacionadas à Aids.
Colaboração internacional no combate à Aids
O Ministério da Saúde brasileiro e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão trabalhando no desenvolvimento e posterior disponibilização de um medicamento que reduzirá, de maneira significativa, o contágio pelo vírus HIV. O PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) está sendo desenvolvido em parceria com outros dois países da América Latina, México e Peru. O objetivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), representada pela Unitaid, financiadora do projeto, é multiplicar os resultados obtidos aqui para o mundo todo.
A Fiotec apoia o estudo que é liderado pelas pesquisadoras da Fiocruz, Beatriz Grinsztejn e Valdiléa Veloso, referências em pesquisas ligadas à Aids. O medicamento terá o efeito semelhante ao de uma pílula anticoncepcional. A pessoa que tomá-lo diariamente desenvolverá uma espécie de “barreia imunológica” contra o vírus HIV. Dessa maneira, estará protegida ao manter relações sexuais com pessoas possivelmente contaminadas. Porém, assim como ocorre com a pílula anticoncepcional, quem passar a tomar o medicamento não deverá abrir mão do uso da camisinha. Hoje, os estudos estão em fase inicial, mas a expectativa é que o medicamento esteja disponível para a população dos três países envolvidos daqui a três anos.
Conheça outras pesquisas da Fiocruz voltadas à luta contra a Aids.
*Com informações do portal da Unaids Brasil.
