Foto: Fiocruz ImagensEm 2013, a taxa de prevalência da hanseníase no Brasil era de 1,42 por 10 mil habitantes, número muito inferior aos 4,52 a cada 10 mil habitantes, registrado dez anos antes, em 2003. Entretanto, o ritmo de queda significativo não foi suficiente para tirar do Brasil dois títulos que país algum deseja ter: o de única nação do mundo a não ter conseguido eliminar completamente a doença e o de que concentra mais casos novos dela a cada ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
A persistência da hanseníase no Brasil está muito associada à dificuldade de se realizar a detecção precoce da doença, para então interromper seu ciclo de transmissão. Diante disso, um projeto do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), coordenado por Milton Ozório Moraes, tem o objetivo de definir parâmetros para detecção da Mycobacterium leprae, a bactéria causadora da hanseníase. Isso seria feito através do desenvolvimento de um teste de diagnóstico denominado qPCR, que possibilita estimativas mais precisas entre contatos domiciliares de pacientes com a doença.
O projeto pretende observar, pelo menos, 1.200 amostras de pessoas que possuem relacionamento próximo a pacientes com hanseníase no Rio de Janeiro e o mesmo número em Manaus, com objetivo de definir se esses indivíduos contraíram a doença.
Doença que atravessa séculos
A hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa, associada a desigualdades sociais, pois afeta principalmente as regiões mais carentes do mundo. É transmitida pelas vias aéreas (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro) por pacientes considerados bacilíferos, ou seja, sem tratamento — aqueles que estão sendo tratados deixam de transmitir.
Os principais sintomas são dormências, dor nos nervos dos braços, mãos, pernas e pés; lesões de pele (caroços e placas pelo corpo) com alteração da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque e áreas da pele com alteração da sensibilidade mesmo sem lesão aparente; e diminuição da força muscular. Essas manchas são esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas.
*Com informações do portal da Fiocruz.
