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O Dia Internacional de Combate às Drogas, celebrado ontem (26/6), estimula uma reflexão: qual é a realidade brasileira em relação a esse tema? O 3° Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira, que teve início no ano passado, pretende traçar um panorama sobre a questão. O objetivo é estimar e avaliar os parâmetros epidemiológicos do uso de drogas na população de todo território nacional – inclusive população rural –, entre 12 e 65 anos, de ambos os sexos. 

Os resultados do projeto, desenvolvido pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com diversos pesquisadores de outras unidades da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de outras instituições, com o apoio da Fiotec, devem ser divulgados ainda neste ano. 

A pesquisa inclui estimativa direta da prevalência, padrão e incidência no último ano de uso de álcool, tabaco e outras drogas, tais como maconha, cocaína, crack e similares, alucinógenos, heroína, anfetamina, entre outras. Com 400 pesquisadores em campo, a metodologia é parecida com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad): a entrevista é feita em domicílio, por equipes treinadas para lidar com perguntas sensíveis. Além do levantamento sobre o perfil do usuário, a pesquisa vai avaliar também a percepção da população sobre facilidades em conseguir drogas, presença de tráfico de drogas na comunidade, descrição das consequências adversas decorrentes do abuso de droga em aspectos jurídicos, envolvimento com a violência, agravos à saúde (física e mental). 

Para o coordenador do projeto, Francisco Inácio Bastos, os maiores desafios são decorrentes da própria complexidade e extensão do Brasil, que é um país muito grande e diverso. Nesse sentido, o apoio da Fiotec, segundo ele, é essencial. “A Fiocruz é uma instituição de capilaridade muito boa, ela tem as regionais, mas mesmo assim há áreas em que você simplesmente não tem cobertura nenhuma. Então, se não existisse uma estrutura de gestão como a Fiotec, eu diria que esse projeto seria impossível para uma instituição que não fosse o IBGE”, afirmou o pesquisador em entrevista realizada em 2014.

Caminhos do Cuidado: formação de profissionais é outra frente no combate às drogas

Além da pesquisa, a Fiotec apoia outra frente no combate ao uso de drogas no Brasil. Trata-se do projeto “Caminhos do Cuidado”, que tem como meta formar agentes comunitários e auxiliares e técnicos de enfermagem em saúde mental (crack, álcool e outras drogas), em especial em municípios muito distantes. No fim de 2015, foram contabilizados 237.175 profissionais formados em todo o país. 

Atualmente em fase de finalização, a ideia é que o conhecimento produzido durante a formação dos profissionais seja transformado em material para pesquisa e entendimento da realidade da saúde mental e da atenção básica no Brasil. O projeto é desenvolvido por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Icict/Fiocruz e o Grupo Hospitalar Conceição “A Fiotec foi absolutamente fundamental. E o que mais gerou mobilização foi a característica muito particular do projeto, que obrigou a instituição a se redesenhar para poder atender às demandas”, destacou o coordenador de infraestrutura e logística do projeto, Ruy Casale.