
Na última semana o noticiário nacional registrava mais um tiroteio que mexia com a rotina de moradores de comunidades do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Nos primeiros cinco meses deste ano, 1.410 tiroteios foram registrados perto de creches e colégios, e seis pessoas foram baleadas dentro ou nas imediações de estabelecimentos de ensino, de acordo com o site Fogo Cruzado. Tamanha violência tem influência direta no baixo desempenho escolar das crianças que vivem nessas localidades, garantem os especialistas.
Essa mesma violência impossibilita, também, o acesso dessa população aos serviços básicos de saúde. Realidade que motiva a terceira oferta de um curso de especialização para discutir os impactos da violência na saúde, oferecido pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), com apoio da Fiotec. O projeto tem como objetivo qualificar gestores e profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), capacitando-os para a proposição de estratégias e desenvolvimento de práticas de vigilância e prevenção de violências e acidentes, promoção da saúde e da cultura de paz.
Entre 2000 e 2009, aqui no Brasil, mais de 1 milhão e 200 mil pessoas foram mortas por causas relacionadas à violência. O problema foi apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2002, como uma das cinco prioridades para as Américas nos primeiros anos do século XXI.
A capacitação desses profissionais contribui também para o fortalecimento da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violência, além da Política de Promoção da Saúde. A primeira edição do curso, realizada entre 2012 e 2014, formou cerca de 70 alunos.
