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Foto: Peter IlliccievFoto: Peter IlliccievA partir deste mês os bairros niteroienses de Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira, onde vivem cerca de 20 mil pessoas, passam a fazer parte do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, que está em fase de expansão. Com o apoio da Fiotec, o projeto propõe uma abordagem inovadora para reduzir a transmissão dos vírus da dengue, do zika e da chikungunya, por meio da liberação do mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia. A população, os animais e o meio ambiente não correm quaisquer riscos, pois o método é natural e seguro. O projeto faz parte de uma iniciativa internacional, o programa “Eliminate Dengue: Our Challenge”, conduzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Uma equipe multidisciplinar e de especialistas foi reestruturada para participar dessa nova fase do projeto. A ideia é que os cerca de 60 profissionais da Fiocruz consigam atender a todas as necessidades de expansão em larga escala do projeto. Eles trabalham em quatro atividades principais:

1. A comunicação do projeto;

2. O engajamento comunitário;

3. A liberação dos mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia;

4. O monitoramento, para verificação da presença de Wolbachia na população de mosquitos.

Durante este primeiro mês de 2017, as equipes de comunicação e de engajamento comunitário trabalharão para informar a população sobre as liberações dos mosquitos nos quatro bairros. Após o engajamento da população, serão feitas as liberações dos Aedes com Wolbachia seguido do período de monitoramento para a verificação da presença de Wolbachia na população de mosquitos, o que deve perdurar por alguns meses.

“Não é só liberar os Aedes aegypti com Wolbachia. Fazemos todo um processo de engajamento antes, de informação e conscientização com a população. Os resultados estão mostrando o grande sucesso dessa iniciativa”, disse Luciano Moreira, pesquisador da Fiocruz e coordenador geral do Projeto no Brasil, em matéria publicada pela Agência Fiocruz de Notícias.

O desafio

O objetivo do projeto é substituir, gradualmente, toda a população de Aedes aegypti de campo pelos mosquitos com a bactéria. Isso acontece através do cruzamento dos Aedes aegypti, na medida em que a bactéria é passada naturalmente da fêmea para os filhotes, que já nascem com a Wolbachia. Esse processo garante a autossustentabilidade do método.

O programa iniciado na Austrália vem obtendo grande êxito há mais de cinco anos. Projetos-piloto também foram realizados na Colômbia, na Indonésia e no Vietnã. A iniciativa não utiliza nenhum tipo de modificação genética.


*Fonte: Agência Fiocruz de Notícias.