Em agosto de 2008 começava no país o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa-Brasil). A partir da chama-da Elsa convida à pesquisa, 15.105 voluntários – todos servidores com idade entre 35 e 74 anos - realizaram entrevistas e exames para a avaliação inicial do Estudo. Participam seis instituições públicas de ensino superior e pesquisa das regiões Nordeste, Sul e Sudeste do país, entre as quais a Fiocruz.
“O objetivo do Estudo é discutir uma realidade brasileira usando como base informações sobre doenças cardiovasculares e diabetes e sua relação com os determinantes sociais e biológicos. Mais tarde foi incluído o câncer”, explica a coordenadora-adjunta do Elsa no Rio de Janeiro, Maria de Jesus Mendes da Fonseca. Em setembro deste ano, o Estudo encerrou a segunda fase de coleta de dados com os participantes, chamada Onda 2, no Rio de Janeiro. Outros estados precisam finalizar a etapa para que, posteriormente, os pesquisadores possam aprofundar os conhecimentos a partir dos dados coletados.
“O que podemos adiantar e dizer em relação ao Rio de Janeiro é que tivemos um percentual de perda de participação muito pequeno em relação à primeira onda”, ressalta a pesquisadora colaboradora do Estudo Arlinda Moreno. O sucesso de pesquisas como o Elsa de- pende, principalmente, da participação dos voluntários. “Se as pessoas não permanecem, se abandonam a iniciativa, nós di- minuímos a longevidade da pesquisa”, afirma Arlinda.
Apontamentos
Na primeira onda do Elsa, realizada entre os anos de 2008 e 2010, os dados coletados revelaram que 37% (5.667) da população brasileira estudada estava hipertensa. A hipertensão arterial é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC).
A coordenadora do Ser- viço de Educação do Museu da Vida, Hilda da Silva Gomes, foi uma das voluntárias. Ao fazer a bateria de exames da primeira onda, verificou alterações na avaliação de sua pressão. “Minha pressão arterial estava alterada. Procurei, então, meu médico para fazer mais exames e acompanhar melhor a questão”, afirma.
Para voluntários como Hilda, participar do Elsa é se dedicar à própria saúde. “Hoje em dia, com a correria cotidiana, somos impedidos de ter um acompanhamento médico mais adequado. Uma pesquisa como essa nos permite uma assistência no ambiente do trabalho, com credibilidade”, destaca.
Particularidades nacionais
Estudos como o Elsa já foram feitos em diferentes países desenvolvidos e os resultados serviram como base para recomendações sobre hábitos alimentares e físicos. Estes estudos não contemplam, entretanto, as diversidades do Brasil. “Muita coisa já se sabe, mas quase tudo lá fora. A ideia, a partir do Elsa, é tentar conhecer, de fato, a realidade brasileira. Saber se temos dados semelhantes, ou diferentes. Saber como estamos aqui”, afirma a coordenadora-adjunta do Estudo no Rio de Janeiro, Maria de Jesus.
É importante destacar que o Elsa não tem o objetivo de diagnosticar e tratar doenças. O Estudo visa, na realidade, fomentar o desenvolvimento de novas investigações e subsidiar políticas públicas de saúde às necessidades nacionais. Os conhecimentos obtidos a partir dos dados coletados na Onda 2 devem ser disponibilizados no fim do próximo ano.
Por que não posso mais me candidatar como voluntário?
Tecnicamente, o Elsa- Brasil é um estudo de co- orte - em estatística, co- orte é um conjunto de pessoas que tem em co- mum um evento que se deu no mesmo período. Estudos desse tipo, com foco na pesquisa de do- enças cardiovasculares, foram iniciados depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Por ser um es- tudo do tipo de coorte fechada - mesmo grupo de indivíduos - não é pos- sível mais se tornar volun- tário do Elsa-Brasil.
Por que só voluntários servidores participam?
“Como o estudo é longitudinal, busca acom- panhar as pessoas em longo tempo, com grupos específicos. Assim, ao trabalhar com servidores, temos a facilidade de fa- zer esse acompanha- mento, e diminuímos um dos grandes problemas desse tipo de estudo, que é a perda de segmento”, explica a coordenadora- adjunta do Estudo no Rio de Janeiro, Maria de Jesus Mendes Fonseca.
Conheça as instituições que formam o consórcio responsável pelo Elsa
Fundação Oswaldo Cruz
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal do Espírito Santo
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade de São Paulo
*Reportagem reproduzida no jornal Linha Direta - Fiocruz
