O início da fase de expansão do projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” foi tema de um encontro entre a equipe liderada pelo pesquisador Luciano Moreira e os gestores de área da Fiotec. Realizado ontem (10/1), nas salas de reunião da fundação de apoio, o evento teve o objetivo de apresentar as atividades previstas para o projeto até o fim de 2018.
Luciano Moreira, coordenador geral do projeto no Brasil, apresentou os resultados obtidos na fase piloto, após a liberação de Aedes aegypti com Wolbachia em Tubiacanga, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, e Jurujuba, em Niterói. Segundo o pesquisador, até o momento, o resultado do projeto nessas regiões é considerado satisfatório e muito positivo, já que cerca de 80% da população de Aedes aegypti possui a bactéria que reduz a capacidade de transmissão da dengue, zika e chikungunya pelo mosquito.
O objetivo do projeto é substituir, gradualmente, toda a população de Aedes aegypti de campo pelos mosquitos com a bactéria. Isso acontece através do cruzamento dos Aedes aegypti, na medida em que a bactéria é passada naturalmente da fêmea para os filhotes, que já nascem com a Wolbachia. Esse processo garante a autossustentabilidade do método.
Mosquitos com Wolbachia em novas regiões
A fase de expansão do projeto, prevista para fevereiro deste ano, pretende liberar os mosquitos Aedes aegypti com a bactéria em quatro outros bairros de Niterói: Charitas, Preventório, São Francisco e Cachoeira. Luciano destacou em sua apresentação a importância do diálogo entre a equipe do projeto e os representantes da prefeitura local. O pesquisador lembrou que é necessária uma porcentagem mínima de mosquitos “positivos” para que a Wolbachia se estabeleça naturalmente entre toda a população local do inseto. Para isso, o apoio dos municípios, e principalmente da população, é essencial. “O engajamento às comunidades é uma parte muito importante do projeto. As pessoas precisam estar de acordo com a soltura dos mosquitos nas regiões em que vivem”, completou.
A participação da população ganhará atenção especial durante a nova fase do projeto. Luciano apresentou todas as aprovações regulatórias necessárias para a realização do estudo, mas destacou que a soltura dos mosquitos só será feita com a aprovação de pelo menos 70% da população de cada uma das regiões selecionadas pelo projeto.
Futuramente, o projeto se expandirá para diversas regiões do Rio de Janeiro, com o objetivo ambicioso de beneficiar 2,5 milhões de pessoas até o final de 2018. “O criadouro mantido no terreno da Expansão do Campus Manguinhos possui capacidade para gerar mais ovos de Aedes aegypti com Wolbachia do que o necessário para se atingir os objetivos traçados para os próximos 24 meses”, destacou Luciano.
Acesse o site do “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil” e conheça melhor o projeto.
