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No dia 14/5, foi realizada a palestra “Cooperação Sul-Sul: a iniciativa da instalação da fábrica de medicamentos do Brasil em Moçambique”, no Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz). O encontro foi direcionado ao projeto de instalação da Sociedade Moçambicana de Medicamentos, fábrica de antirretrovirais. A iniciativa, iniciada em 2003, é realizada pela unidade da Fiocruz e possui o apoio da Fiotec.

As colaboradoras Thais Lyra, analista do projeto na Fiotec, e Sara Nascimento, assistente da área, representaram a instituição no evento. “Esse projeto tem um apelo social muito grande, sensibiliza saber que milhões de pessoas poderão ter acesso a remédios, a saúde que hoje é algo frágil em Moçambique. Gosto muito de fazer parte deste projeto mesmo que indiretamente”, contou Thais.

O evento

A palestra foi ministrada pela Diretora do Escritório Regional da Fiocruz na África, Lícia Oliveira, que explicou que essa cooperação mundial é um mecanismo de desenvolvimento conjunto entre países emergentes, em resposta a desafios comuns. Ela também esclareceu o porquê da Fiocruz ter sido escolhida para essa missão. “Farmanguinhos é, atualmente, o maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde. E participa de vários programas estratégicos do Governo Federal e possui conhecimento suficiente para a montagem e instalação da fábrica”, disse na ocasião.

Durante o encontro, também foi citado o porquê de Moçambique ter sido o país escolhido. “A escolha foi por interesses estratégicos do Governo e dentre vários motivos políticos, ao transferir técnicas e tecnologias para os países em desenvolvimento, sem visar ao lucro ou estabelecer condicionalidades, o Brasil consolida-se como protagonista na cooperação Sul-Sul”, explicou Lícia, que também abordou o cunho humanitário. “Também existe a questão da solidariedade, já que a população local conta com uma elevada taxa de prevalência de HIV/Aids", explicou Lícia.

A fábrica

Localizada em Maputo, capital do País, a fábrica começou a operar em julho de 2012 e já houve remessa do antirretroviral Nevirapina 200mg entregue ao Ministério da Saúde de Moçambique (Misau). Além da instalação, o projeto também capacitou funcionários locais da fábrica (desde farmacêuticos até a gerência), para que Moçambique seja capaz de mantê-la a longo prazo.

Além dos antirretrovirais, a fábrica vai atender outras especificidades terapêuticas como para o tratamento de hipertensão, diabetes e anemia, enfermidades com dimensões preocupantes no contexto da saúde pública de Moçambique.