Foto: Eduardo QueirogaVem da Região Amazônica brasileira um dos grandes exemplos da força e capacidade feminina em mudar a realidade dos locais em que vivem. No estado do Amazonas, o trabalho das parteiras tradicionais as coloca em posição de agentes de saúde nos territórios, além de atuarem como verdadeiras líderes e referências em lugares que carecem de assistência médica e social.
Diante disso, o Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), com apoio da Fiotec, desenvolve um projeto com objetivo de valorizar as práticas tradicionais e populares das parteiras, por meio de pesquisa e da formação dessas mulheres para o fortalecimento da Rede da Saúde da Mulher no Amazonas. Para se ter noção da importância do trabalho dessas mulheres, os dados epidemiológicos do estado, de 2012, revelaram que os partos domiciliares (aqueles feitos por parteiras tradicionais) representavam 6,17% de todos os procedimentos realizados no Amazonas.
A iniciativa do Instituto reforça sua consonância com a atual política de democratização cultural, que promove a necessidade de “valorizar certas práticas populares como contra-hegemônicas ou mesmo como alternativas a uma suposta atitude aristrocatizante (...)”. A valorização do trabalho das parteiras tradicionais vai de encontro a dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam o Brasil como um dos líderes em cesáreas no mundo. Na Europa a taxa média de partos desse tipo é de 25%; nos Estados Unidos o número chega a 32,8% dos procedimentos; e aqui no Brasil, em 2016, as cesáreas representavam 55,6% de todos os partos realizados no País.
Para alcançar seu objetivo, o projeto realiza, há mais de um ano, o mapeamento dos territórios de atuação das parteiras nos municípios e regiões de saúde do estado do Amazonas. A articulação das parteiras ao sistema de saúde local e municipal é outra estratégia utilizada para a legitimação do serviço que prestam à sociedade, bem como sua qualificação, por meio da metodologia de educação permanente e popular em saúde, que valoriza o conhecimento popular e tradicional ao mesmo tempo em que as transforma em gestoras de saúde.
