O risco relativo de uma jovem negra ser vítima de homicídio no Brasil é 2,19 vezes maior que o de uma jovem branca, é o que revela o relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017. O estudo demonstra que, em todas as unidades da federação (UF), com exceção do Paraná, as jovens negras são mais vulneráveis à violência do que as brancas.
Inovador, esse índice traz pela primeira vez o recorte de vulnerabilidade à violência sobre a juventude brasileira na faixa de 15 a 29 anos, que foi a idade definida para jovem, em 2013, pelo Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013). Até a edição de 2014 (dados de 2012), o IVJ era calculado para a faixa etária dos 12 aos 29 anos.
O IVJ 2017 mostra que no topo da desigualdade racial e de gênero entre as taxas de homicídio estão os estados do Rio Grande do Norte, onde as jovens negras têm 8,11 mais chances de serem assassinadas em relação às jovens brancas, seguido do Amazonas (6,97) e da Paraíba (5,65). No Maranhão (1,10) e em Tocantins (1,15), as diferenças de risco de uma jovem negra e de uma jovem branca sofrer homicídio são as menores registradas no estudo. O Paraná é o único estado da Federação onde mulheres jovens brancas correm mais risco de serem assassinadas do que as jovens negras.
O estudo é resultado de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) da Presidência da República e da Representação no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco no Brasil), com apoio técnico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. As estatísticas apresentadas pelo Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017 serão utilizadas para embasar o Novo Plano Juventude Viva, da Secretaria Nacional de Juventude, com ações de inclusão social e autonomia para os jovens de 15 a 29 anos expostos às situações de violência nos municípios de maior vulnerabilidade para a juventude, com foco prioritário na população negra. Os dados também irão subsidiar o governo brasileiro na elaboração e na implementação de políticas sociais nos segmentos vulneráveis.
Jovens em geral
Em 24 unidades da federação, a chance de um jovem negro, seja do sexo masculino ou feminino, morrer assassinado é 2,7 vezes maior do que a de um jovem branco. Quanto às outras três UFs brasileiras, o Paraná tem uma taxa de mortalidade de jovens brancos superior àquela registrada entre os jovens negros; em Tocantins o risco é bastante próximo e, em Roraima, não foi possível realizar o cálculo de risco, uma vez que o estado não registrou morte de nenhum jovem branco no período.
O Índice de Violência e Desigualdade Racial é medido para as UFs e pode variar de 0 (nenhuma vulnerabilidade) até 1 (máxima vulnerabilidade). Os três estados de maior vulnerabilidade para o jovem são: Alagoas (0,489), Ceará (0,487) e Pará (0,471). Santa Catarina (0,209), São Paulo (0,209) e Rio Grande do Sul (0,216) são os estados com menor vulnerabilidade. Chama atenção a posição do Distrito Federal (0,225) no ranking, quarto estado com menor vulnerabilidade. Mas com risco relativo de homicídio entre jovens negros e brancos no valor de 3,37, mesmo que a violência seja baixa, ela incide seletivamente nos jovens negros.
O homicídio é a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no Brasil, diz o relatório. Mesmo assim, os números mostram que menos de 20% dos 19 milhões de jovens (jovens dos 304 municípios com mais de 100 mil habitantes) estão vivendo em municípios de alta e muito alta vulnerabilidade juvenil à violência.
O relatório foi lançado em dezembro de 2017 e os dados são de 2015.
Fiotec faz parte dessa história
Entre os anos de 2012 e 2014, a Fiotec apoiou a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) na execução do projeto “Articulação Nacional Juventude Viva”. A iniciativa teve como objetivo colaborar com a capilarização e territorialização do Plano Juventude Viva, articulando ações com estados, municípios, bairros vulnerabilizados e sociedade civil, contribuindo para a formação de redes que fortalecessem a divulgação, articulação, implementação e desenvolvimento do Plano.
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Fonte: site da Unesco
