A Fiotec, através do apoio de gestão administrativa, logística e financeira que presta à Fiocruz, faz parte de uma das iniciativas de pesquisa e desenvolvimento em saúde priorizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS): a produção de uma vacina brasileira para esquistossomose. A Vacina Sm14 foi desenvolvida e patenteada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e terá sua segunda fase de estudos iniciada em breve.
Em parceria com a empresa Orygen Biotecnologia S.A., a Fiocruz dará início à fase II da vacina. Os estudos clínicos serão realizados em adultos moradores da região endêmica no Senegal, na África, local atingido simultaneamente por duas espécies do parasito Schistosoma, causador da doença. Essa característica, que não existe em nenhuma região brasileira, é muito importante para que se possa verificar a segurança da vacina Sm14 com escopo ampliado em relação a estes dois agentes. A ideia é avaliar a segurança do produto, bem como a sua capacidade de imunizar as pessoas vacinadas.
A pesquisadora Miriam Tendler, que lidera os estudos, falou em entrevista concedida à Agência Fiocruz de Notícias das expectativas em torno da produção da vacina. Os testes da Fase II serão realizados entre setembro e dezembro deste ano. A conclusão e os resultados dos estudos estão previstos para 2017. “A vacinação tem o potencial de interromper o ciclo de transmissão. A vacina Sm14 foi desenvolvida para induzir uma imunidade duradoura”, pontuou.
Ineditismo
A vacina Sm14 foi produzida a partir de um antígeno, substância que estimula a produção de anticorpos, evitando que o parasita causador da doença se instale no organismo ou que lhe cause danos. Foi utilizada a proteína Sm14, sintetizada a partir do Schistosoma mansoni, verme causador da esquistossomose na América Latina e na África. Mas o fato de estar sendo utilizada tecnologia brasileira para a produção da vacina, país que apresenta casos da doença em 19 dos seus estados, é o que evidencia toda a importância e simbolismo dos estudos.
“Temos orgulho da importante contribuição que a vacina Sm14 representa, não apenas por seu caráter científico inovador, mas por inovar também no fluxo criativo, em que um país endêmico é capaz de gerar uma tecnologia que responde a um desafio, ao mesmo tempo, local e global. Isso é, de fato, fazer ciência para a sociedade”, declarou o diretor do IOC/Fiocruz, Wilson Savino, à Agência Fiocruz de Notícias.
A esquistossomose
Uma das doenças parasitárias mais devastadoras socioeconomicamente, atrás apenas da malária, é a responsável por infectar mais de 200 milhões de pessoas, de acordo com a OMS, essencialmente em países pobres. Relacionada à precariedade de saneamento, a doença tem áreas endêmicas em mais de 70 países, onde 800 milhões de pessoas vivem sob risco de infecção, sobretudo na África. No Brasil, 19 estados apresentam casos, especialmente os da região Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias
