
A chamada revolta de Stonewall, que aconteceu na madrugada de 28 de junho de 1969 em Nova Iorque, é considerada o marco em que o ativismo pelos direitos LGBTQIA+ ganha o debate público e as ruas. As manifestações contra a violência policial se tornaram, mais de 50 anos depois, um movimento global pela liberação e respeito à vida de gays, lésbicas, bissexuais, pessoas trans e de todos os demais membros da sigla.
Apesar de importantes conquistas ao longo dessas mais de cinco décadas, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Em 2021 foram 316 casos de mortes violentas contra indivíduos do grupo, 33% a mais do que no ano anterior. De acordo com o relatório produzido pelo Observatório de Mortes Violentas contra LGBTI+, em 2021 o Brasil chegou ao quarto ano consecutivo como país com mais vítimas fatais de LGBTfobia no planeta.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em sua missão maior de fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e promover uma saúde pública universal, como instrumento de inclusão e respeito às diversidades, desenvolve uma série de projetos e programas voltados à população LGBTQIA+ do Brasil. Muitas dessas iniciativas contam com o suporte financeiro e logístico da Fiotec, que gere esses projetos de forma conjunta com a Fundação. Conheça alguns deles:
Prevenção ao HIV como garantia de direitos
A Unitaid financia o projeto Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que combina a disponibilização de medicamentos anti-retrovirais, para reduzir o risco de infecção, a programas de conscientização e garantia de direitos à população mais afetada pelo HIV. As atividades são coordenadas pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e oferecem uma abordagem sensível e humana no âmbito das políticas públicas nacionais do Brasil, México e Peru. Ao longo de anos, a Fiotec realizou o suporte a pesquisas que avaliaram a efetividade da PrEP entre adolescentes de Salvador, Belo Horizonte e São Paulo. Hoje, o apoio da instituição se volta ao projeto pela implementação de uma efetiva prevenção ao HIV entre as populações mais afetadas aqui no Brasil e em países da América Latina.
Combate ao ódio com conhecimento
O projeto TransFormação trabalha pela inclusão da população LGBTQIA+ por meio da educação. A ideia é promover o conhecimento e a formação política de novas lideranças transgêneras e travestis como forma de combater a LGBTIfobia. A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) coordena a realização de capacitações preparatórias para exames nacionais e concursos públicos, além de promover a disseminação e produção de conhecimentos sobre a situação da população LGBTQIA+ no Brasil e no mundo.
Hora de se prevenir
Em setembro de 2021, a população de Porto Alegre passou a contar com uma opção inovadora para realização do teste de HIV. O projeto A Hora é Agora lançou um site com o objetivo de ampliar o acesso de homens gays, homens que fazem sexo com homens (HSH), trabalhadores(as) do sexo e mulheres trans e travestis à testagem anti-HIV, por meio de um autoteste que pode ser feito por fluido oral ou por uma pequena gota de sangue, sem estigma ou discriminação. A iniciativa faz parte de um programa lançado em 2014, em Curitiba, que visa, além da ampliação da testagem, o apoio a pessoas diagnosticadas e que vivem com HIV no Brasil.
Saúde mental de pessoas LGBTQIA+
A pesquisa Smile-Brasil estuda aspectos culturais, sociais e interpessoais para definir a maneira mais eficiente e humana de intervir na saúde mental das pessoas LGBTQIA+. O estudo compreende 10.500 participantes no Brasil, Quênia e Vietnã, em um intervalo de quatro anos. O levantamento pretende estimar a prevalência de ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, ideação suicida e outros quadros muito presentes entre indivíduos de minorias sexuais. Apenas no Brasil, em pesquisa realizada com 2.815 pessoas trans em 2018, 60% delas relataram experiências frequentes de violência física e sexual, e 60% relataram também depressão ao longo da vida. A ansiedade generalizada atingiu 38% desse público, e outros 35% relataram sofrimento que resultou em tentativas de suicídio.
