A bactéria Wolbachia tem sido utilizado pelo projeto “Eliminar a Dengue: Desafio Brasil”, da Fiocruz e apoiado pela Fiotec, para bloquear a transmissão do vírus da dengue pelo mosquito Aedes aegypti. Recentemente, a apresentação dos resultados comprovou que, quando inserida no mosquito, a bactéria é capaz de reduzir a transmissão dos vírus dengue e chikungunya. Esta semana foi divulgado que os chamados “mosquitos do bem”, que são infectados com a Wolbachia, são uma barreira contra a zika. A novidade foi tema de uma reportagem na edição de ontem do Jornal Nacional.
Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e do Centro de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas) realizou um estudo que usou quatro grupos de mosquitos Aedes aegypti: duas gaiolas continham mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia, criados em laboratório pela equipe do projeto, e duas gaiolas com insetos sem a bactéria, coletados no Rio de Janeiro. Todos eles foram alimentados com sangue humano contendo duas linhagens do vírus zika circulantes no Brasil: metade das gaiolas recebeu sangue com uma cepa isolada em São Paulo, enquanto a outra, com cepa isolada em Pernambuco.
Os cientistas acompanharam os mosquitos e depois de 14 dias do contato com o vírus, os especialistas coletaram amostras de saliva de 10 mosquitos com Wolbachia e de 10 mosquitos sem a bactéria. O objetivo era infectar 160 Aedes e analisar se eles seriam infectados pelo vírus presente nas salivas. O resultado foi animador: nenhum dos 80 mosquitos que recebeu saliva de Aedes com Wolbachia se infectou com o vírus zika. Por outro lado, 85% dos mosquitos que receberam ficaram altamente infectados.
“Na natureza, ao picar um indivíduo infectado, o mosquito também se infecta. O vírus, então, irá percorrer um longo caminho por todo o corpo do inseto até chegar à glândula salivar. Alcançar um resultado que demonstra que mais da metade dos Aedes com Wolbachia sequer apresentarão zika na saliva, caso sejam infectados, reforça ainda mais o potencial de utilização em larga escala que esta estratégia apresenta”, afirmou o coordenador do projeto, Luciano Moreira, em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias.
Próximos passos
Pesquisas apontam que 80% dos mosquitos recolhidos em armadilhas já possuem a bactéria. Apesar de a Fiocruz ainda não falar em números, em um ano e meio os moradores das regiões já perceberam a diminuição das doenças transmitidas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou a ampliação do projeto. Por isso, o próximo passo será implantar essas armadilhas e espalhar os mosquitos com a bactéria em uma área maior, uma cidade com 400 mil habitantes para monitorar em larga escala a incidência de dengue, chikungunya e zika.
*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias e Jornal Nacional
