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Foto: Ascom Fiocruz PernambucoNo final de 2015, o zika vírus tornou-se motivo de apreensão nacional ao lado da dengue, velha e incômoda conhecida da população brasileira. Mas o que chamou atenção não foi necessariamente o número de pessoas que apresentavam os sintomas da infecção, e sim o surto de casos suspeitos de microcefalia em recém-nascidos, que mais tarde teriam relação comprovada com o zika.

Naquele ano, oito estados da Região Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Ceará e Bahia) e em Goiás foram registrados 739 casos. De acordo com o Ministério da Saúde, no ano anterior (2014), foram notificados 147 casos de microcefalia em todo o País.

O Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM/Fiocruz Pernambuco) assumiu um papel de destaque no momento de emergência epidemiológica provocado pelo zika vírus, tornando-se pioneiro, por meio do Grupo de Pesquisa da Epidemia da Microcefalia (Merg), em publicar um estudo que comprovou definitivamente a relação entre o vírus e as alterações que hoje são chamadas de síndrome da zika congênita. 

O grupo, formado por especialistas das mais diversas áreas da saúde, é coordenado pela médica e pesquisadora Celina Turchi, que esteve à frente, até dezembro de 2016, de um estudo caso-controle conduzido pelo Merg com o apoio da Fiotec e financiamento do Ministério da Saúde brasileiro e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). O grupo de pesquisadores explorou a relação do efeito do zika com a idade gestacional durante a exposição ao vírus e estudou as características clínicas, laboratoriais e de imagens dos recém-nascidos com microcefalia. Além de identificar as malformações congênitas presentes nos casos de microcefalia confirmados.

Conquistas

A pesquisa pode ser considerada um marco para a medicina e rende importantes frutos. No final de 2016, Celina foi incluída na lista da revista científica Nature - uma das mais renomadas publicações científicas do mundo – entre os dez cientistas mais importantes do ano. No início de 2017 a pesquisadora recebeu o prêmio “Faz Diferença” do Jornal O Globo, na categoria personalidade do Ano e, em seguida, foi escolhida como uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista norte-americana Time.

Não parou por aí, na semana passada o trabalho que provou o elo entre o zika vírus e a microcefalia foi o vencedor do Prêmio Péter Murányi, que reconhece projetos relevantes e inovadores nos campos da ciência, educação e saúde. E, nesta última semana, mais uma novidade, Celina foi indicada, na lista tríplice da área de Ciências Biológicas e da Saúde, para integrar o Conselho Deliberativo (CD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A escolha do representante, entre os nomes indicados, será feita pelo Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab.

Em matéria publicada no site da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Sinval Brandão Filho, que além de presidente da SMBT é diretor da Fiocruz PE, afirmou que a indicação é mais do que justa e “representa um importante impacto político para a comunidade de pesquisadores em medicina tropical e saúde pública”.