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Foto: Peter Illicciev

A busca por estratégias para controle do Aedes aegypti em territórios norte-americanos motivou a realização de um encontro entre pesquisadores e representantes do poder público e da indústria, em Atlanta, nos Estados Unidos, no final do mês de fevereiro. A reunião promovida pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), financiador de diversos projetos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Fiotec, teve uma única representante brasileira: a pesquisadora do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Denise Valle. Coube a ela apresentar algumas das abordagens desenvolvidas e adotadas aqui no Brasil.

O evento, denominado “Estratégias para Controle Vetorial de Aedes aegypti e as Doenças Transmitidas por ele: traçando o caminho a seguir”, serviu como uma preparação do CDC para a aproximação de estações mais quentes no hemisfério norte, que favorecem a proliferação de mosquitos.

Denise, que atuou por 13 anos na coordenação da Rede Nacional de Monitoramento da Resistência de Aedes aegypti a Inseticidas (MoReNAa) junto ao Ministério da Saúde brasileiro, apresentou um panorama histórico do controle químico do vetor no País e explicou os desafios do uso indiscriminado de inseticidas. A pesquisadora apresentou iniciativas como a “10 minutos contra o Aedes”, que se trata de uma vistoria semanal de 10 minutos, suficiente para eliminação de possíveis criadouros do mosquito, e o projeto de videoaulas “Aedes aegypti: Introdução aos Aspectos Científicos do Vetor”, que disponibiliza gratuitamente na internet aulas sobre diversos aspectos do vetor dos vírus dengue, zika e chikungunya.

A pesquisadora ainda falou de iniciativas como os projetos "Eliminar a Dengue: Desafio Brasil" e "Avaliação de armadilhas para a Vigilância Entomológica de Aedes aegypti com vistas à elaboração de novos índices de infestação", ambos apoiados pela Fiotec.

Avaliação de armadilhas para captura do mosquito

O principal objetivo do estudo foi avaliar o uso de diferentes tipos de armadilhas de captura de mosquitos adultos em situação de campo, para elaboração de novos índices de infestação. O projeto trabalhou na avaliação da pertinência do uso dessas armadilhas no âmbito do Programa Nacional de Controle da Dengue, investigando a relação custo-benefício da instalação de cada armadilha e capacitando agentes das Secretarias Municipais de Saúde para utilização e avaliação dos equipamentos.

Eliminar a Dengue: Desafio Brasil

O projeto coordenado pelo pesquisador Luciano Moreira, do Centro de Pesquisas René Rachou (CPQRR), também conhecido como Fiocruz Minas Gerais, consiste na liberação de Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão da dengue pelo mosquito. O estudo foi iniciado no bairro da Ilha do Governador, no município do Rio de Janeiro, e no bairro niteroiense de Jurujuba, onde os resultados obtidos provaram a sustentabilidade e eficácia do método utilizado. Hoje o projeto está em sua fase de expansão, realizando a liberação dos mosquitos com Wolbachia em outros quatro bairros da cidade de Niterói-RJ, com total apoio e participação da comunidade local. A equipe do projeto tem o objetivo de beneficiar 2,5 milhões de pessoas, de diversas regiões do Rio de Janeiro, até o final de 2018.


*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias (AFN).