Realizado em parceria entre o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), por meio do Grupo de Informação em Saúde e Envelhecimento (Gise), e o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz da Fiocruz, o I Simpósio Nacional sobre Saúde, Envelhecimento e estado de Bem-estar, realizado entre os dias 18 e 19 de abril, teve como objetivo debater as diferentes dimensões relacionadas ao problema da mortalidade prematura de adultos e, principalmente, idosos por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) apontadas pela ONU nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e nas políticas relacionadas.
A coordenadora do Simpósio e chefe do Gise, Dalia Romero, aproveitou o momento para ressaltar a importância da atenção primária de saúde: “no que diz respeito ao envelhecimento da população, isso é fundamental. Embora as doenças crônicas façam parte da velhice, o foco não deveria estar apenas nelas, e sim no bem-estar das pessoas. E o melhor indicador de bem-estar é a capacidade funcional, de poder realizar as atividades diárias, como comer, tomar banho, sair à rua. Pode haver a presença da doença, mas a independência está mantida”.
Dalia também lembrou que, em áreas pobres onde há atenção primária adequada, é possível encontrar indivíduos vivendo numa situação de mais bem-estar do que em regiões de classe média onde idosos moram sozinhos: “o papel do agente de saúde é crucial. Sem atenção primária, caminhamos para o risco de um número maior de internações por condições que poderiam ser evitadas, como hipertensão ou diabetes”. E ainda enfatizou a possibilidade de utilização de tecnologias de baixo custo para beneficiar os mais velhos, citando o exemplo de Portugal, que distribui talheres especiais para portadores do Mal de Parkinson – “atenção primária interessa a todos”, resumiu.
Modelo social exclui idosos
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Brasil tem 26 milhões de pessoas acima de 60 anos e, em 2027, a estimativa é que essa população chegue a 37 milhões de pessoas. A 11° edição do Conexão Fiotec-Fiocruz, aborda como a população brasileira tem envelhecido e porque parece “tão grave” ser idoso nos dias de hoje.
Na mídia, observamos o envelhecimento, ou o aumento do número de idosos no País, ser noticiado como algo problemático e como se sua causa fosse apenas a quantidade de anos de vida que as pessoas ganharam. Na verdade, segundo Dalia, o principal motivo para o envelhecimento da população é a diminuição da fecundidade e antes de falar sobre os impactos do envelhecimento na sociedade é preciso descobrir as causas dele.
De acordo com a pesquisadora, atualmente – não só no Brasil, mas internacionalmente também – predomina o modelo social neoliberal e isso diminui as chances de as pessoas envelhecerem com saúde. Neste ponto, umas das principais consequências é o maior gasto com custos de saúde. Nestas circunstâncias, o problema deve-se menos ao aumento da proporção de idosos e mais ao modelo de sociedade que temos hoje.
Confira a matéria completa clicando aqui!
*Com informações do G1
