Apesar do controle das epidemias de febre amarela que já assustaram o País, e da atual disponibilidade de vacinas eficazes, a doença ainda tem uma incidência anual de 200 mil casos e 30 mil mortes no mundo. Esse temor foi reforçado pelo reestabelecimento do mosquito Aedes aegypti nos últimos 30 anos, o que pode acarretar no ressurgimento da febre amarela urbana no Brasil.
Mas as atenções dos pesquisadores envolvidos no projeto “Risco de reemergência da febre amarela urbana no Brasil: papel do mosquito invasor Aedes albopictus”, apoiado pela Fiotec, estão voltadas para um outro vetor. O Aedes albopictus é uma espécie oportunista que se adapta com tranquilidade a habitats distintos, podendo desempenhar o papel de “vetor ponte” entre os ciclos silvestre e urbano da doença. Ou seja, a alta densidade populacional desse mosquito pode se tornar um fator crítico para a propagação do YFV, agente causador da febre amarela.
O projeto realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC), com a coordenação de Ricardo Lourenço de Oliveira, trabalha com a delimitação de duas áreas de transmissão recente da doença para a captura do mosquito através de armadilhas. O objetivo é identificar o sangue ingerido pelos mosquitos e realizar uma pesquisa sobre a infecção natural pelo YFV. Uma outra frente de trabalho avalia a competência vetorial do Aedes albopictus em populações do mosquito que vivem em ambientes selvagem, intermediário e urbano, para então determinar as taxas de disseminação e transmissão do agente.
A forma mais grave da febre amarela acontece raramente, mas merece atenção, já que causa insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.
Entenda como acontece a transmissão da febre amarela e previna-se.
