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Entre os dias 19 e 24 de abril, será realizado em Goiânia o primeiro “Curso de Capacitação em Atenção à Saúde da Mulher Indígena”, projeto desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) com apoio da Fiotec. A propostas visa capacitar 240 profissionais de nível superior (em especial formados em enfermagem) que estejam atuando em comunidades indígenas em todo o país, no âmbito do Rede Cegonha.

O curso irá abordar questões relacionadas aos sistemas tradicionais nos cuidados na gravidez e parto da mulher indígena e as interferências do modelo intervencionista vigente no Brasil. O objetivo é desenvolver nos alunos habilidades para analisar o estado de saúde e da assistência de gestantes e mães indígenas à luz das orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do reconhecimento das práticas tradicionais, para uma melhor adequação da atenção à saúde materna nas áreas indígenas.

Além disso, a capacitação visa qualificar as ofertas em relação ao planejamento reprodutivo e à prevenção e tratamento dos problemas de saúde da mulher, adequando-as às especificidades das culturas indígenas.

Saúde da mulher indígena

De acordo com o Censo Nacional de 2010, existem 305 etnias indígenas no país, falantes de aproximadamente 270 línguas distintas tamanha diversidade de contextos culturais, sociais e geográficos constitui um grande desafio para a provisão de cuidados que sejam ao mesmo tempo alinhados com as políticas e programas de saúde nacionais e compatíveis com as especificidades socioculturais locais. Em se tratando de saúde da mulher, essas questões assumem particular relevância.

As altas taxas de mortalidade materna verificadas na população indígena e a crescente incorporação do modelo intervencionista de atenção ao parto às mulheres indígenas requerem das políticas públicas esforços redobrados para ajustes das ofertas tecnológicas às reais necessidades das diversas situações de saúde dessas populações.

Por isso, a Rede Cegonha trouxe a necessidade de se pensar um cuidado materno e neonatal indígena ajustado a cada realidade, respeitando seus modos tradicionais de cuidado, crenças e protegendo o que se mostra eficaz, ao mesmo tempo em que propõe a incorporação de ações com efetividade em saúde da mulher.

O curso

A ideia é desenvolver nesses profissionais de saúde a habilidade para discernir e ter a segurança necessária para evitar a medicalização excessiva e as intervenções desnecessárias e ao mesmo tempo ofertar em tempo oportuno o que está disponível para a sociedade enquanto bens de saúde.

Dessa forma, o projeto pretende contribuir para a qualificação da Rede Cegonha nas áreas indígenas, reduzindo a mortalidade materna entre as mulheres indígenas, além de promover a atenção integral à saúde da mulher indígena.

Rede Cegonha

Criada em 2011 pelo Ministério da Saúde, a Rede Cegonha tem como proposta estabelecer uma rede de cuidados que assegure à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e à atenção humanizada durante a gravidez, o parto e o puerpério. Além disso, busca garantir às crianças o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis.