O homicídio é caracterizado como a morte que ocorre por agressão, independentemente da sua tipificação legal. Um estudo multicêntrico da mortalidade por homicídios em países da América Latina mostrou que, de 1990 a 2007, a Argentina, o Brasil, a Colômbia e o México contabilizaram 1.432.971 óbitos por homicídio. O mesmo estudo destaca que as maiores taxas de homicídios incidem no grupo de adolescentes e jovens do sexo masculino. Baseado nesses dados, a Fiocruz está realizando a pesquisa “Mortes violentas de jovens: um olhar compreensivo para uma tragédia humana e social”, apoiada pela Fiotec.
“A ideia é realizar um estudo sócio-epidemiológico da mortalidade por homicídio dos jovens, por essa ser a principal causa de morte deles, esse tema demonstra sua relevância”, disse Edinilsa Ramos, coordenadora do projeto.
Epidemiológico x quantitativo
A coordenadora explicou que o estudo está sendo realizado em duas vertentes. Do ponto de vista epidemiológico, está sendo feita uma análise descritiva da mortalidade de jovens (15 a 29 anos) por homicídio, envolvendo os dados básicos como sexo, faixa etária e meio usado para perpetrar o homicídio, disponíveis nos sistemas de informação dos Ministérios da Saúde do Brasil, Argentina, México e Venezuela, para o período de 1980 a 2010.
Do ponto de vista qualitativo, foram feitos dez estudos de caso, sendo dois em cada grande região do país, um município com alta e crescente taxa de mortes de jovens por homicídio e outro com baixa e decrescente taxa, mesmo com melhora da qualidade da informação. Em cada município foram feitas quatro entrevistas semi-estruturadas com gestores, três grupos focais com profissionais, dois grupos focais com jovens e uma entrevista com familiar de algum jovem assassinado.
No total foram realizadas 100 entrevistas/grupos. “Além disso, foram coletados os jornais locais de maior tiragem referentes ao mês de março de 2013, cujas notícias sobre o tema também serão objeto de análise. Esta abordagem qualitativa está sendo desenvolvida no Brasil e na Argentina”, afirmou.
Edinilsa também falou sobre a escolha dos municípios onde foi feito o aprofundamento do estudo, explicando que foi observada a tendência das taxas de homicídio. “Outros critérios também foram usados, como: exclusão das capitais, por serem áreas já bastante focalizadas nos estudos sobre esta temática; município com mais de 100 mil habitantes; possuir informação sobre óbitos para toda a série histórica”, contou.
Realidade atual
Atualmente, no Brasil, todo o material quantitativo e qualitativo encontra-se em fase de análise. Na Argentina, está sendo feito o trabalho de campo. Segundo a coordenadora, até o momento já foram produzidas uma tese de doutorado e uma dissertação de mestrado defendidas na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz): a dissertação “Um olhar sistêmico sobre famílias de jovens vítimas de homicídio”, de Daniella Harth da Costa; e a tese “Homicídios de jovens no Brasil: O desafio de compreender a consequência fatal da violência”, de Juliana Guimarães e Silva.
