O mês de julho será marcante para o projeto Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina (OTSS), desenvolvido pela Vice-presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), com o apoio da Fiotec. Isso porque no 10 de julho será inaugurado o espaço OTSS, uma casa localizada em Paraty, no Rio de Janeiro, preparada para a realização de reuniões e encontros. Além disso, no dia 11 do mesmo mês, será entregue o primeiro módulo de Saneamento Ecológico construído na escola municipal Martim de Sá, na comunidade caiçara da Praia do Sono, também em Paraty.
O projeto foi iniciado em 2008 através de uma parceria entre a Fiocruz, a Funasa e o Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ) e Ubatuba (SP). Com essas ações no território, as instituições mantêm sua missão de promover a saúde e o desenvolvimento social, gerando e difundindo o conhecimento científico e tecnológico.
Espaço OTSS
O ambiente foi criado para o desenvolvimento de soluções territorializadas baseadas na ecologia de saberes e que têm potencial para tornarem-se estratégias regionais e alternativas para a garantia dos direitos das comunidades tradicionais, especialmente aqueles relacionados ao território, à cultura, às atividades tradicionais e à qualidade de vida. Tem como área de atuação a região o litoral norte do Estado de São Paulo e litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, onde vivem cerca de 50 comunidades tradicionais de três etnias: caiçaras, indígenas e quilombolas.
“A ideia é que a casa seja um espaço de produção de conhecimento, de encontros e diálogos dos diferentes saberes tradicionais e acadêmicos. Ela também será um espaço de soluções territorializadas para as questões ligadas ao desenvolvimento sustentável e para a promoção da Saúde no território. É um local físico onde poderemos nos encontrar e nos reunir, trabalhar e estudar, e a partir de então construir as ações que estamos desenvolvendo no território. É um passo muito importante para a Fiocruz”, explicou o coordenador geral do projeto, Edmundo Gallo.
Saneamento Ecológico
A comunidade caiçara da Praia do Sono vive ameaçada pela especulação imobiliária e o turismo predatório. Uma das prioridades da comunidade, para a manutenção da Saúde e a qualidade de vida, é o tratamento do esgoto. Na construção do Saneamento Ecológico a troca de saberes norteou os trabalhos de planejamento e execução da obra. A equipe do OTSS realizou reuniões com os caiçaras da Praia do Sono, que optaram, entre as possíveis soluções de saneamento ecológico, pela Fossa Séptica + Fossa Verde (tanque de evapotranspiração). O sistema que consiste na criação de fossas, que não permitem a contaminação do solo, ao contrário dos sumidouros utilizados tradicionalmente, contou com mão de obra local na sua construção.
O módulo de Saneamento Ecológico construído na escola municipal Martim de Sá é uma caixa de alvenaria selada/impermeabilizada, onde ocorre a decomposição anaeróbia da matéria orgânica, finalizada com uma camada de terra fértil, onde as plantas absorvem a matéria orgânica, incorporando-a à sua biomassa e eliminando a água por evapotranspiração. Pronto desde maio de 2015, servirá de modelo para a construção de outros módulos na comunidade caiçara.
