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Após o carnaval, o projeto “Eliminar a Dengue” fará a liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia no campus da Expansão da Fiocruz. Por isso, uma equipe do programa passou no dia 7 de fevereiro em todas as salas da Fiotec para tirar dúvidas e fazer um trabalho de sensibilização com os colaboradores. Segundo Lucas Rech de Oliveira, coordenador adjunto comunitário, e Gisele da Mota Silva, técnico de engajamento comunitário, que estiveram na instituição para desenvolver a ação, esta é uma atividade de engajamento comunitário desenvolvida antes do trabalho de liberação dos mosquitos.

O projeto que agora chama-se “World Mosquito Program” - já que não combate apenas a Dengue e, sim, mais alguns tipos de arboviroses, como a Zika e a chikungunya, tem como objetivo trazer um novo aliado para combate destas arboviroses: a Wolbachia. A bactéria natural já é comum em mais de 60% de insetos na natureza. Na mosca da fruta, por exemplo, onde começaram os estudos, ela inibe a ação de alguns vírus. No Aedes foi descoberta que a bactéria também combatia o vírus da Dengue. Por isso, foi desenvolvida na Austrália uma técnica de microinjeção da Wolbachia nos ovos da fêmea do mosquito. Além disso, no momento da reprodução, a bactéria é passada para as próximas gerações, pela fêmea. E caso ocorra a relação entre o mosquito que tem a bactéria com uma fêmea que não tenha, há um impedimento na parte citoplasmática que não deixa os ovos eclodirem.

Lucas explicou que, ao contrário do que muitos pensam, o mosquito não é geneticamente modificado. “Entre os benefícios da Wolbachia está o fato dela ser natural: é uma bactéria segura e não causa nenhuma infecção nos seres humanos e em animais vertebrados. Ela vive dentro da célula e caso o mosquito morra, a bactéria morre junto com ele. Há também a questão da autossustentabilidade: despois que os mosquitos são liberados, vão se reproduzir no meio ambiente e a ideia é que a população seja completamente substituída”, finaliza.

O processo de liberação é feito baseado no estudo da equipe de georreferenciamento e em um acordo de cooperação técnica com a Secretária Municipal de Saúde. Existe uma lógica territorial e a primeira fase começou pela Ilha do Governador, passará pela Zona Norte, pelo Centro e será finalizada na Zona Sul.

E como saber que a população com Wolbachia se estabeleceu? Além de ter os locais georeferenciados de soltura, próximo a estes locais há a instalação de armadilhas de captura dos mosquitos. Elas ficam ligadas 24 horas, atraem os insetos e ficam instaladas entre 8 meses há um ano - para ter segurança da porcentagem e ver se a população com Wolbachia se estabeleceu.