A Fiotec apoia a Fiocruz no desenvolvimento do projeto Building Sustainable Research Capacity for Health and its Social Determinants in Low – and Middle-Income Countries (Construindo capacidade sustentável para pesquisa em saúde e seus determinantes sociais em países de baixos e médios ingressos), com a denominação SDH-Net. O objetivo é avançar o entendimento sobre os Determinantes Sociais da Saúde (DSS), melhorar as intervenções em nível local e regional e construir estruturas sustentáveis para equacionar as desigualdades nos serviços de saúde.
Apoiado pelo Sétimo Programa-Quadro da Comissão Europeia (FP7), o foco do projeto é construir e fortalecer o elo das competências de pesquisa em saúde com seus determinantes sociais na África e nos países de baixa renda da América Latina, por meio de uma colaboração estreita com os parceiros europeus. A ideia é desenvolver instrumentos inovadores de fortalecimento da capacidade de pesquisa no campo dos DSS, incluindo desenvolvimento de metodologias e planejamento de pesquisa.
Em entrevista ao Boreau Brasileiro para Ampliação da Cooperação Internacional com a União Européia (B. Bice), Alberto Pellegrini, que é pesquisador em saúde pública na Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e coordenador do projeto, conta detalhes sobre o SDH-Net e fala de seus impactos positivos para a sociedade. Confira algumas perguntas:
Quais são as metas e produtos do projeto?
O projeto permitirá mapear a capacidade de pesquisa dos países participantes no tema dos determinantes sociais da saúde (DSS), identificando instituições, pesquisadores, projetos, produção científica, mecanismos de disseminação e utilização do conhecimento nesses países. Além disso, deverá desenvolver instrumentos inovadores de fortalecimento da capacidade de pesquisa no campo dos DSS, incluindo desenvolvimento de metodologias e planejamento/administração de pesquisa. Utilizando modernas tecnologias de informação e comunicação, o projeto permitirá um estreitamento de relações de intercâmbio entre as instituições participantes, assim como maior difusão das informações e conhecimentos por elas produzidos para os diversos atores sociais que podem utilizá-los.
Quais os impactos positivos que o projeto gerará para a sociedade?
Os DSS ocupam hoje um papel de destaque na agenda de saúde global. Em outubro de 2011, realizou-se no Rio de Janeiro uma Conferência Mundial sobre DSS com representação oficial de mais de 120 países membros da OMS (Organização Mundial de Saúde), além de representantes da comunidade científica internacional e da sociedade civil. O tema desperta grande interesse porque há um amplo reconhecimento de que a melhoria da situação de saúde e, particularmente, a diminuição das desigualdades sociais em saúde, depende da atuação efetiva sobre os DSS. Para que políticas e programas de ação sobre eles sejam realmente efetivos, é fundamental que estejam baseados em evidências científicas. Projetos como o SDH-Net, que permitem o desenvolvimento de capacidade de pesquisa nesse tema e intercâmbio de experiências, são, portanto, de grande benefício para a sociedade como um todo.
Há uma compreensão no Brasil da importância de um parceiro como a União Europeia?
A comunidade científica brasileira tem grande tradição de colaboração com os países europeus. A instituição onde trabalho foi fundada por um eminente pesquisador brasileiro, Oswaldo Cruz, que fez sua formação científica no Instituto Pasteur, com quem até hoje a Fiocruz mantém estreitos laços de colaboração. Não tenho conhecimento de dados objetivos sobre a magnitude da colaboração em C&T entre o Brasil e a União Europeia. Acredito, entretanto, que há, no momento, um reconhecimento da importância da cooperação internacional para o desenvolvimento da C&T e uma das expressões desse reconhecimento é o programa Ciência sem Fronteiras para apoiar a formação no exterior. Acredito que iniciativas como essa devam estreitar os laços do Brasil com a União Europeia.
Quais os benefícios que esse trabalho em parceria traz para os projetos aprovados e para os países envolvidos?
Hoje há um amplo reconhecimento que a ciência moderna não pode se desenvolver em instituições ou centros isolados da sociedade e do mundo exterior como torres de marfim. O trabalho em redes de colaboração é o que tem proporcionado grandes avanços como o projeto de genoma humano e tantos outros. Nos temas sociais há uma enorme necessidade de intercâmbio de experiências, saber o que funciona e o que não funciona a partir desse intercâmbio e desenvolver em conjunto novas soluções. Tudo isso só é possível por meio do trabalho sistemático em redes de colaboração como as que estão previstas neste projeto.
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Fonte: **Com informações do B.Bice
