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O Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), sediado no Flamengo, recebeu cientistas políticos, economistas, políticos e representantes da Fiocruz para a realização do seminário Futuros do Brasil – Crise atual e alternativas de longo prazo. O evento, organizado pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE), com o apoio da Fiotec, aconteceu durante as tardes de segunda e terça-feira (11 e 12/4), e debateu a necessidade de defesa das instituições democráticas diante do conturbado momento político do País, bem como a necessidade de autocrítica por parte do governo e oposicionistas para a construção de um Brasil mais igualitário no futuro.

Convidado para compor a mesa de abertura do seminário, o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, ressaltou a necessidade de se pensar estrategicamente o País e definir os rumos da nação nos próximos anos, mas alertou para o perigo de alongar muito essa análise, deixando de lado o cenário que vivemos hoje. “Em relação ao que falamos de futuro, presente e passado, Boaventura Santos [sociólogo] em algum momento destaca que, às vezes, temos a tendência de alargar muito e trabalhar com o futuro de uma maneira tão ampla e tão distante e não levar em consideração a sociologia das emergências, que é aquilo que se coloca no presente de uma maneira que vai determinar questões fundamentais”, disse.

José Maurício Domingues, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-Uerj) e coordenador do CEE/Fiocruz, também estava na mesa de abertura e ressaltou que os avanços alcançados nas últimas décadas não devem ser vistos como uma estabilidade inabalável. “A verdade é que estamos perdendo, aos poucos, a capacidade de pensar estrategicamente o futuro do País”, alertou.

Encruzilhadas da Conjuntura

A primeira mesa com a proposta de um debate propriamente dito foi a “Encruzilhadas da Conjuntura”, composta pelos cientistas políticos André Singer (Universidade de São Paulo) e Marcos Nobre (Universidade de Campinas) e pela economista Lena Lavinas (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Os dois teóricos políticos analisaram o governo a partir da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, discutindo o modelo econômico que, segundo eles, fugia do neoliberalismo e a campanha de ataque à desigualdade no País. Já Lena Lavinas adotou uma postura mais crítica aos governos petistas, destacando que os avanços sociais se deram mais pela expansão do consumo do que pelo aumento em direitos constitucionais básicos.

O evento ainda tinha uma segunda mesa prevista, da qual participariam os políticos Marcelo Freixo, Reimont Otoni e Lindbergh Farias, que foi cancelada devido ao evento contra o impeachment e pró-governo realizado também na segunda-feira, na Lapa.

Na terça-feira (12/4) o seminário continuou com a presença da socióloga Angela Alonso, da USP, do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, Guilherme Boulos, e da jornalista Tereza Cruvinel, entre outros. Leia mais sobre o evento na Agência Fiocruz de Notícias. 

*Com informações da Agência Fiocruz de Notícias.