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Fruto de um projeto do Ministério da Saúde e da Fiocruz, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR) foi criada com a missão de apoiar, incentivar e promover a amamentação, com o objetivo de reduzir a mortalidade neonatal e melhorar os indicadores de aleitamento materno. A operacionalização da Rede ocorre por meio de uma articulação entre o Centro de Referência Nacional para Bancos de Leite Humano, situado no IFF, com cada Centro de Referência Estadual (CREBLH). O Centro Nacional repassa aos estados as instruções normativas e os avanços científicos, recebe demandas dos municípios e desenvolve soluções para os problemas que emergem do cotidiano dos serviços.

Atualmente, a Rede faz parte da Política Nacional de Aleitamento Materno e suas atividades abrangem a coleta, o processamento e a distribuição do leite humano a bebês prematuros e/ou de baixo peso, além de ações de promoção ao aleitamento materno e de atendimento, orientação e apoio à amamentação.

Aleitamento materno e a importância do Banco de Leite

O leite humano é considerado o alimento mais completo para o bebê. Mas, ainda assim, a prática não é instituída como deveria ser. “Querendo ou não, a mulher grávida vai produzir leite, mas entre produzir e viabilizar existe uma diferença. O determinismo biológico é próprio da espécie, realizar a amamentação depende de condicionantes sociais. Então, a amamentação é biologicamente determinada e socioculturalmente condicionada e os condicionantes sociais tendem a se sobrepor ao biológico”, esclarece João Aprigio.

De acordo com ele, uma criança que nasceu antes do tempo não está imunológica e biologicamente preparada para enfrentar a vida. Ela precisa de um alimento com característica de medicamento, que não se encontra dentro de um potinho. “Somente um alimento funcional ajuda nos processos de maturação do seu organismo, e de amadurecimento do seu sistema imunológico, além de elevar seus fatores de defesa. Esse tipo de alimento ajuda em seu ciclo biológico evolutivo, que foi interrompido na vida intrauterina, para prosseguir na vida extrauterina, recebendo os componentes que só o leite materno é capaz de oferecer”, afirma João Aprigio.

Existem estudos de coorte que mostram que a criança que mama no peito, em regime de aleitamento exclusivo por pelo menos seis meses, ou até os dois anos de idade ou mais, têm o Quociente de Inteligência (QI) maior do que aquelas que são desmamadas precocemente. Essa diferença de QI se estende para a vida toda. “Se a gente acredita que a construção de um estado mais digno no futuro depende da capacidade de investir na infância, o aleitamento materno tem que ser o primeiro passo”, conclui.

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