
30 milhões de pessoas vivem com HIV/Aids em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais de 95% das novas infecções, desde 2003, foram observadas em países de baixa e média renda, embora em sua maioria os níveis de prevalência sejam baixos, já que a epidemia se concentra em grupos populacionais específicos.
Um desses grupos é o de pessoas trans, consideradas chave para a resposta à epidemia. Apesar de representarem menos de 1,5% da população mundial, estima-se que 19% das travestis e das mulheres transexuais vivam com HIV. A má notícia é que 61% dos programas nacionais de resposta à Aids simplesmente não incluem pessoas trans, e 57 países ainda criminalizam ou perseguem essas pessoas.
O estigma, a discriminação e a rejeição social por expressarem sua identidade de gênero, contribuem para que as pessoas trans se afastem dos serviços de prevenção e assistência às infecções sexualmente transmissíveis (ISF). A consequência disso tudo é a probabilidade 49 vezes maior de travestis e transexuais contraírem o HIV.
O Centro de Referência para a População Trans, ligado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), trabalha para a inserção na sociedade e assistência em saúde dessa população. Desde outubro do ano passado, a instituição desenvolve um projeto para viabilizar a continuidade das atividades do centro, com apoio da Fiotec.
A iniciativa promove a educação comunitária em HIV/Aids, identificando as necessidades da população trans. Realiza, também, estudos epidemiológicos com o grupo, ampliando o acesso ao diagnóstico da infecção pelo HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. O INI/Fiocruz pretende, com a iniciativa, combater a violência social e sexual vivida diariamente por essas pessoas, e por meio da assistência em saúde promover sua inserção nas instituições de ensino e no mercado de trabalho.
