Foto: Peter IliccievDe acordo com dados divulgados no dia 29 de janeiro, a vacina contra Covid-19 da Janssen (Johnson & Johnson) apresenta eficácia global de 85% na prevenção de casos graves, inclusive em voluntários com 60 anos ou mais. Por ter sido feito em consonância da descoberta de novas variantes do Sars-CoV-2, o estudo indica que o imunizante oferecerá proteção completa contra hospitalização e morte pela doença.
Beatriz Grinsztejn, médica infectologista, diretora do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e líder do estudo, explica que houve diferença entre os resultados da pesquisa feita nos Estados Unidos, na América Latina e na África do Sul. Essa dissemelhança se deve às variantes identificadas recentemente, mas que foi comprovado que não são capazes de afetar a eficácia total contra as formas graves.
Segundo a pesquisadora, a busca por um esquema de vacina de dose única se deu em razão da possibilidade de beneficiar mais pessoas em menos tempo, facilitando a distribuição, armazenamento e aplicação. Nos ensaios clínicos, participaram 44.325 pessoas nos Estados Unidos, Brasil, Chile, Argentina, Colômbia, Peru, México e África do Sul. Cerca de 41% delas possuíam algum tipo de comorbidade, e 34% de voluntários acima dos 60 anos.
Agora, o próximo passo é submeter estes dados à Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora americana, para que possa ser feito o uso emergencial. Com o saldo positivo, os participantes que receberam o placebo serão vacinados após a aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e da Agência Nacional em Vigilância Sanitária (Anvisa), que será concedida após a autorização do uso emergencial.
Nomeado Ensemble, a pesquisa é apoiada pela Fiotec e foi desenvolvida pelo Laboratório Farmacêutico Jassen, da Johnson & Johnson, em parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (National Institutes of Health – NIH) através da CoVPN, rede de prevenção à Covid-19 do NIH. O Instituto Nacional de Doenças Infecciosas Evandro Chagas (INI/Fiocruz), integra a Rede CoVPN, incluindo o maior número de voluntários no Brasil.
*Com informações de entrevista concedida ao jornal O Globo
