
Na última sexta-feira de junho (26/6) a Fiotec promoveu em sua sede um encontro para fortalecimento de relações interinstitucionais e da agenda de internacionalização da Fiocruz. O Encontro Horizonte Europa reuniu pesquisadores de diferentes unidades da Fundação em uma conversa sobre oportunidades de colaboração científica internacional com a União Europeia.
Alda Maria da Cruz, pesquisadora e vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, fez uma fala de abertura ressaltando a atuação da Fiotec na gestão de recursos e a capacidade técnica da fundação de apoio no relacionamento com entidades e financiadores internacionais. “A gente enxerga que a Fiotec tem muita intensidade na participação em pesquisa, para além do gerenciamento de recursos. Eles já detêm o conhecimento sobre os tipos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos, os grupos envolvidos na Fiocruz que trabalham nesses temas, além das várias fontes de recurso no exterior”. A gestora comentou que a Vice-Presidência busca agora impulsionar a participação em editais de fomento, entendendo que não é mais suficiente “o pesquisador com a sua caneta, suas ideias, é preciso uma equipe de apoio que atue diretamente nessas submissões”.
Em seguida, Cristiane Sendim, diretora executiva da Fiotec, iniciou sua apresentação esclarecendo as características de atuação da fundação de apoio e os resultados já alcançados na gestão compartilhada de centenas de projetos. “Em 2025 alcançamos a marca de mais de 1.500 projetos apoiados em extensão, ensino, pesquisa, desenvolvimento institucional. Mas sabemos que o estímulo à inovação, as pesquisas nesse sentido, ainda precisam de um estímulo maior”. 
A gestora ressaltou a importância de integrar as diferentes equipes dentro da Fiocruz que atuam na captação de recursos e importações voltadas à pesquisa, inclusive as da Fiotec. Segundo ela, a fundação de apoio conta com a isenção de taxas, mas está limitada à cota anual disponibilizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), enquanto a Fiocruz goza de imunidade total nessas importações.
A apresentação seguiu abordando as iniciativas da Fiotec para automatização de seus processos, entre eles o projeto de Transformação Digital desenvolvido em parceria com a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), de Minas Gerais. Cristiane defendeu que o investimento em inovação, desde os processos internos, anda lado a lado com a diretriz para internacionalização das pesquisas desenvolvidas pela Fiocruz e do apoio a projetos executado pela Fiotec. “A internacionalização da pesquisa, do desenvolvimento científico e tecnológico, e da inovação, não é uma estratégia apenas da Fiocruz e Fiotec, mas uma estratégia de Estado, regulamentada por lei. Com base na Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, e no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), o País precisa se desenvolver e diversificar suas fontes de financiamento para deixarmos de depender das instituições estrangeiras, algo que observamos durante a pandemia de Covid-19”, defendeu.
Oportunidades de cooperação científica e mobilidade internacional
Dhallys Mota Nunes, oficial de políticas para ciência, tecnologia e inovação da União Europeia no Brasil, comandou o segundo momento do encontro apresentando em detalhes as possibilidades de financiamento do Programa Horizonte Europa. De acordo com Dhallys, a previsão para a nova rodada do Programa, a ser iniciada em 2028, é de até 173 bilhões de euros em recursos para pesquisa.
O Horizonte Europa busca por estudos e pesquisas em três pilares principais: Excelência em Ciência; Desafios Globais e Competitividade Industrial Europeia; e Europa Inovadora. Apesar de, inicialmente, o Programa estar voltado ao continente europeu, são aceitas submissões de pesquisadores de todo o mundo.
Ao longo de sua apresentação, Dhallys mencionou a proximidade estratégica entre União Europeia e Fiocruz, apontando a instituição como o principal parceiro em saúde e inovação na América Latina. “A Fiocruz, com a Fiotec ao seu lado, é hoje a principal participante brasileira no programa Horizonte Europa”. A expectativa, segundo ele, é que essa realidade continue para o novo quadro do Programa, entre 2028 e 2034.
Dhallys seguiu sua explanação trazendo oportunidades abertas para financiamento, as possibilidades de submissão para entidades e para pesquisadores interessados em cursar doutorado e pós-doutorado em instituições europeias. O encontro foi finalizado após muitas dúvidas esclarecidas e intensos debates iniciados sobre a importância da cooperação dentro da comunidade Fiocruz e, claro, com novos parceiros nacionais e internacionais.
Além da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) e da própria equipe de Projetos Internacionais da Fiotec, o encontro reuniu representantes das Vice-Presidência de Saúde Global e Relações Internacionais (VPSGRI) e Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fiocruz, bem como do INI, IOC, Icict, INCQS, COC, ICTB, Bio-Manguinhos, Farmanguinhos, Ensp e EPSJV. Representantes de unidades técnico-científicas também estavam entre os convidados: Fiocruz Brasília; Fiocruz Bahia; Fiocruz Minas Gerais; Fiocruz Amazônia; Fiocruz Pernambuco; Fiocruz Rondônia; Fiocruz Mato Grosso; e Fiocruz Paraná.
